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GRUPO 2 1o DIA |
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| PROVAS OBJETIVAS DE BIOLOGIAE LÍNGUAESTRANGEIRA PROVAS DISCURSIVAS DE PORTUGUÊS E LITERATURA BRASILEIRA E DE REDAÇÃO |
| LEIAATENTAMENTE AS INSTRUÇÕES ABAIXO. 01 -Você recebeu do fiscal o seguinte material: a) este caderno, com o enunciado das 10 questões objetivas de BIOLOGIA, das 10 questões objetivas deLÍNGUA ESTRANGEIRA e das 5 questões discursivas de PORTUGUÊS e LITERATURA BRASILEIRA, sem repetição ou falha, e o tema da Redação; b) 1 Caderno de Respostas, contendo espaço para desenvolvimento das respostas às questões discursivas de PORTUGUÊS e LITERATURA BRASILEIRA, além de um CARTÃO-RESPOSTA, com seu nome e número de inscrição, destinado às respostas das questões objetivas formuladas nas provas de BIOLOGIA e LÍNGUA ESTRANGEIRA; c) 1 folha para o desenvolvimento da Redação, grampeada a um CARTÃO, com seu nome e número de inscrição. 02 -Verifique se este material está em ordem, se o seu nome e número de inscrição conferem com os que aparecem nos CARTÕES. Caso contrário, notifique IMEDIATAMENTE ao fiscal. 03 -Após a conferência, o candidato deverá assinar no espaço próprio de cada CARTÃO, preferivelmente a caneta esferográfica de tinta na cor preta. 04 -No CARTÃO-RESPOSTA, a marcação das letras correspondentes às respostas certas deve ser feita preenchendo todo o espaço do círculo, a lápis preto no 2 ou caneta esferográfica de tinta na cor preta, com um traço contínuo e denso. A LEITORA ÓTICA utilizada na leitura do CARTÃO-RESPOSTA é sensível a marcas escuras, portanto, preencha os campos de marcação completamente, sem deixar claros. Exemplo: A C D E 05 -Tenha muito cuidado com os CARTÕES, para não os DOBRAR, AMASSAR ou MANCHAR. Os mesmos SOMENTE poderão ser substituídos caso estejam danificados emsuas margens superiorese/ou inferiores − BARRA DE RECONHECIMENTO PARA LEITURA ÓTICA. 06 -Para cada uma das questões objetivas são apresentadas 5 alternativas classificadas com as letras (A), (B), (C), (D) e (E); só uma responde adequadamente ao quesito proposto. Você só deve assinalar UMA RESPOSTA: a marcação em mais de uma alternativa anula a questão, MESMO QUE UMA DAS RESPOSTAS ESTEJA CORRETA. 07 -As questões são identificadas pelo número que se situa acima de seu enunciado. 08 -SERÁ ELIMINADO do Concurso Vestibular o candidato que: a) se utilizar, durante a realização das provas, de máquinas e/ou relógios de calcular, bem como de rádios gravadores, headphones, telefones celulares ou fontes de consulta de qualquer espécie; b)se ausentar da sala em que se realizam as provas levando consigo o Caderno de Questões e/ou o Caderno de Respostas (com o CARTÃO-RESPOSTA) e/ou a folha da Redação; c) não assinar a Lista de Presença e/ou os CARTÕES. 09 Reserve os 30 (trinta) minutos finais para marcar seu CARTÃO-RESPOSTA. Os rascunhos nos Cadernos de Questões, de Respostas e na folha da Redação NÃO SERÃO LEVADOS EM CONTA. 10 -Quando terminar, entregue ao fiscal o CADERNO DE QUESTÕES, O CADERNO DE RESPOSTAS (com oCARTÃO-RESPOSTA), A FOLHA DA REDAÇÃO (COM O CARTÃO) EASSINE A LISTA DE PRESENÇA. 11 -O TEMPO DISPONÍVEL PARA ESTAS PROVAS DE QUESTÕES OBJETIVAS E DISCURSIVAS E A REDAÇÃO É DE 4 (QUATRO) HORAS. BOAS PROVAS! |
1
A água, por ter um alto calor específico, é um elemento importante para a regulação da temperatura corporal em todos os chamados animais de sangue quente. A quantidade de água necessária para a manutenção da estabilidade da temperatura corporal varia, basicamente, em função de dois processos: a sudorese e a produção de urina.Assinale a opção que aponta corretamente como funciona esse controle.
2
No caso de transplantes de órgãos, o processo de aceitação/rejeição do órgão transplantado pelo indivíduo receptor está diretamente relacionado à(ao):
3
Johanna Döbereiner foi uma pesquisadora pioneira no Brasil, que correlacionou a maior produção de biomassa vegetal em leguminosas com a presença de nódulos em suas raízes. Essas estruturas estão relacionadas a que processo abaixo
| descrito? | |
|---|---|
| (A) Denitrificação. (C) Fixação do CO2. (E) Amonificação. | (B) Fixação de N2. (D) Respiração das raízes. |
| 4 | |
Entre outros processos, o reflorestamento contribui para a diminuição do efeito estufa, ao promover o(a):
6
Um indivíduo ao ingerir certa quantidade de bebida alcoólica geralmente apresenta uma necessidade maior de urinar. Este fato ocorre porque o álcool:
8
O dopping, baseado na injeção de hemácias extras, é basicamente natural. A vantagem deste dopping é relativa à função desempenhada pelas hemácias. Por outro lado, a me-nor concentração de hemácias no sangue indica um problema de saúde. Indique a opção que aponta, respectivamente, a função das hemácias no sangue e a doença causada pela diminuição da quantidade dessas células.
9
Em um teste de paternidade, onde tanto a mãe quanto o pai eram desconhecidos, realizado sem a possibilidade do uso de técnicas mais modernas de biologia molecular, algumas características fisiológicas foram observadas entre a criança e os dois prováveis pai e mãe. A criança apresentava um fenótipo relativo a uma característica recessiva somática também apresentada pela provável mãe, mas não pelo provável pai. Considerando que esses são os verdadeiros pais da criança e com base nessas informações, é correto afirmar que a(o):
10
Considerando que todos os seres vivos necessitam de uma fonte de carbono para construir suas moléculas orgânicas, a diferença essencial entre os autotróficos e heterotróficos, respectivamente, é:
With more than 90 million players sold worldwide since its introduction in 2001, the iPod has given rise to a lucrative accessories industry. At least 3,000 types of iPod extras have received Apple’s blessing — mostly no-nonsense
5 options like cases, earbuds and amplified speaker systems, including the $300 SoundDock line made by Bose.
But another trend is developing, one more playful and not always with Apple’s consent or knowledge. Call it iSilly,
10 a growing number of products in which fun is emphasized over function. All of these items, some costing as little as $10, have been created to plug into an iPod — or, in many cases, any audio source that has a standard 3.5-millimeter headphone jack.
15 Last fall, KNG America released an animated robotic
D.J. complete with spinning turntables and stereo speakers that flash with blue L.E.D. lights. Called FUNKit, the device, which costs about $100, is designed specifically for the iPod. When a player is attached, it becomes the
20 head and upper body of the D.J. that rocks to the music, shouting phrases like “drop the beat,” as its right arm scratches a faux record. “People looked and saw the popularity of the iPod and tried to figure out how to capitalize on it, like those
25 scavenger fish that swim under sharks,” said Shelly Hirsch, a toy industry marketing specialist and chief executive of the Beacon Media Group.
Greg Joswiak, vice president of iPod product marketing for Apple, said the growing number of products designed 30 to plug into an iPod helps prove that the iPod has become “a cultural phenomenon.” “If you look at it from the consumers’ standpoint, they have a consumer electronic product that becomes more valuable over time. We’re adding these accessories, adding capabilities”, he said. 35 Any speaker accessory that attaches to the iPod by way of the proprietary 30-pin connector in the player’s base must be licensed by Apple, he noted. Those that do, including the FUNKit, can usually also permit full control of the iPod through the speaker systems and
40 charge iPods’ batteries. Those that do not, and are not counted as official iPod accessories, are “less interesting,” Mr. Joswiak said. That judgment has not dissuaded toymakers like Lee Schneider, president of the Commonwealth Toy & Novelty
45 Company, a major maker of plush animals and dolls. “We look at not only the toy business, but what’s happening in the world, and the trends in the marketplace, from a fashion standpoint, from a technological standpoint,” said Mr. Schneider, surrounded by shelves of battery
50 powered flora and fauna in his company’s Manhattan showroom. “We then take and see how we can interpret these trends into fun trends that children and young adults would love to have.” […] By Michel Marriott The New York Times, February 2007
11
The main purpose of the text is to:
12
The word “blessing” in “At least 3,000 types of iPod extras have received Apple’s blessing…” (lines 3-4), could be correctly replaced by:
13
“No-nonsense options” (lines 4-5) are:
14
Mark the correct option concerning reference.
15
According to Shelly Hirsch, chief executive of the Beacon Media Group (lines 23-25):
16
Where in the passage does the author provide examples of gadgets designed to attach to iPods?
17
Check the only correct statement according to the text.
18
“That judgement” (lines 42-43) refers to the fact that:
19
According to the text, all the reasons below explain why products designed to plug into an iPod are a new tendency in the market, EXCEPT one. Mark it.
20
The meaning of “battery-powered flora and fauna” (lines 49-50) can be described as “flora and fauna that are powered by batteries”. Check the option in which a similar phrase is INCORRECTLY explained.
Nice – Une meute d’une douzaine de loups qui, importée d’ Italie, a investi ces derniers mois l’immense Parc du Mercantour, a réveillé de vieux démons parmi les bergers et les chasseurs de haute montagne des Alpes-Maritimes.
5 Le loup est une espèce protégée en Europe. Hier matin, peu avant quatre heures, une charge de dynamite faisait voler en éclats un pont sur une route menant au Parc national. Un correspondant anonyme a revendiqué l’attentat au nom des « Frères des loups »
10qui entendent « faire payer aux chasseurs ce qu’ils ont fait aux loups. » Il a annoncé « d’autres actions du même type ». L’après-midi, la ligue des opposants aux loups organisait un rassemblement devant la préfecture des Alpes–Maritimes. Pour ces trois cents chasseurs et
15bergers, « la capture et la mise hors d’état de nuire des loups » est l’unique solution. « Cent soixante-douze moutons ont été dévorés et d’énormes ravages sont constatés parmi les mouflons, chamois, sangliers... » ont expliqué les manifestants.
La Montagne, Juin 1995.
11
Choisissez l’option qui résume dans une seule phrase le sens du titre. Les loups...
12
L’expression « Réveiller de vieux démons » (ligne 3) veutdire:
13
La réaction des défenseurs des loups a été de/d’...
14
Les opposants des loups n’ont qu’une idée:
15
Les loups ont commis d’énormes ravages (ligne 18) parmi les animaux. L’expression soulignée peut être remplacée, sans que le sens du paragraphe soit changé, par l’option:
Texto 2
Pour ou contre la carte d’identité génétique.
Deux philosophies s’affrontent. Dans le camp des scientistes, on estime qu’il serait absurde de refuser l’utilisation des tests qui permettent à un individu et à ses médecins de connaître les risques auxquels celui-ci est
5 exposé. À l’inverse, les humanistes s’inquiètent du fait que certaines affections puisent être diagnostiquées alors que l’on ne sait pas encore les guérir (...). Lors d’une récente communication à l’Académie de médecine, le Pr. Maurice Tubiana exprimait son angoisse
10 de voir des personnes se suicider en apprenant, au vu des résultats d’un test, qu’elles sont porteuses du gêne d’un mal incurable. On peut aussi s’interroger sur l’attitude d’employeurs et d’assureurs qui n’ont pas tardé à s’intéresser de très près
15 à ces mêmes tests génétiques, infaillibles moyens de déterminer les sujets à risque lors d’une embauche ou de la signature d’un contrat d’assurance-vie.
G. Badou, L’Express, avril 1995.
16
Le titre du texte nous fait savoir que la carte d’identité génétique est...
17
Des options ci-dessous, cochez celle qui est l’opinion des scientistes.
18
L’opinion des humanistes, inverse à celle des scientistes, dit que...
19
Quelle est la raison de l’angoisse du Pr. Tubiana? Il est angoissé car..
20
Quels professionnels pourront se servir des informations de la carte génétique portant préjudice aux sujets à risque?
)
Lea y conteste según lo que dice el texto.
1§ 292.900 visitaron la ciudad en el primer semestre de este año, más de la mitad de los 564.000 que llegaron al país, según cifras del Ministerio de Comercio, Industria y Turismo. 2§ Los años en los que muchos se la pensaban dos veces antes de venir a Bogotá, por la mala imagen internacional del país, y solo iban a Cartagena de Indias, parecen ir quedando atrás. 3§ Esperanza Vargas –propietaria de la agencia de turismo EV Travel Representaciones Turísticas-, decidió vender una Bogotá para los extranjeros hace cuatro años y no faltaron los que le dijeron que estaba loca. 4§ Se inventó diversos tipos de recorridos: nocturnos, de rumba y culturales; de duendes y fantasmas; de la Bogotá picaresca e histórica; de la ciudad gastronómica, rumbera y cosmopolita, y de compras. Los concibió para turistas que hacían escala en la ciudad por unas horas y para los que se quedaban varios días. 5§ En su primer semestre de labores, esta administradora turística no atendió más de 10 extranjeros. Hoy tiene un promedio de 2.000 al año, el 70 por ciento europeos, y el resto brasileños, peruanos, ecuatorianos, mexicanos y venezolanos, entre otros. 6§ “Aparte de que cada vez hay más turistas interesados en la ciudad, cada vez hay más personas que vienen a convenciones o por negocios y se quedan uno o dos días más en plan de turismo”, dice Vargas. 7§ El plan de compras en la ciudad, incluso, ya tiene sus especialidades. Según Vargas, al europeo le interesa adquirir esmeraldas certificadas y buen café. Al latino (mexicanos, venezolanos y ecuatorianos), la ropa de cuero, casual e interior, especialmente. Y hay almacenes, en distintos sectores, especializados en ellos. 8§ Visitar sitios como Andrés Carne de Res es casi obligatorio para muchos turistas extranjeros, cuentan los operadores, quienes aseguran que por la vía del “boca a boca” la ciudad ha ganado fama de buen destino gastronómico y rumbero. 9§ ¿Qué falta? Vargas dice que más mente abierta por parte de algunos hoteleros y multinacionales, para los que es más importante contratar un bus, montar a la gente y llevarla a dar una vuelta por la ciudad, sin ofrecerle una visión clara de ella, porque solo piensan en los costos. 10§ “Si queremos que ese turista vuelva, ojalá con su familia, lo tenemos que enamorar de la Bogotá que hay más allá de lo tradicional. Esta ciudad es una potencia turística que incluso nosotros apenas estamos descubriendo.” 11§ Pese a que la oferta de planes en Bogotá para los extranjeros se ha diversificado bastante, los sitios turísticos tradicionales siguen siendo muy demandados, cuenta Esperanza Vargas.
www.eltiempo.com/bogota/11/8/2007
11
La propuesta del texto es:
12
Indica la opción correcta tras leer los párrafos 2o y 3o.
13
Marca la opción correcta.
14
Señala la opción verdadera.
15
Se comprueba el éxito de la EV Travel Representaciones Turísticas, EXCEPTO por:
16
Señala lo que se entiende en el 8o párrafo.
17
Así se comprende el último párrafo:
18
Indica el párrafo abajo en que hay una declaración de Vargas en primera persona.
19
Señala los referentes de los pronombres destacados en el 4o párrafo:
“…los concibió…” -“…los que se quedaban…”
)
Texto 1
Esquecer uma informação menos importante, mediante um processo de memória seletiva, torna mais fácil lembrar um dado mais relevante, segundo um estudo elaborado por cientistas dos Estados Unidos. Para chegar a esta conclusão, que a revista científica britânica “Nature Neuroscience” traz em sua última edição, os especialistas fizeram ressonâncias magnéticas em indivíduos enquanto estes tentavam lembrar associações de palavras que tinham aprendido anteriormente.
5 Durante os exames, os cientistas analisaram o comportamento do córtex pré-frontal, a parte do cérebro que participa do processo de recuperação das informações armazenadas na memória. Como se fosse uma competição em que uma informação vence quando outra é descartada, quanto maior o número de coisas que os pesquisados esqueciam, menos ativo o córtex pré-frontal se mostrava, isto é, menos recursos o cérebro precisava usar para recuperar uma informação. Portanto, para os indivíduos que participaram da experiência, foi muito mais simples lembrar uma associação de palavras
10 ao esquecer outras. Adaptado de texto disponível em: Yahoo Notícias, <http://br.noticias.yahoo.com>, 03 de junho de 2007.
Texto 2
Também nas pessoas saudáveis, não neuróticas, encontramos sinais abundantes de que uma resistência se opõe à lembrança de impressões penosas, à representação de pensamentos aflitivos. [...] O ponto de vista aqui desenvolvido – de que as lembranças aflitivas sucumbem com especial facilidade ao esquecimento motivado – merece ser aplicado em muitos campos que até hoje lhe concederam muito pouca ou nenhuma atenção.
5 Assim, parece-me que ele ainda não foi enfatizado com força suficiente na avaliação dos testemunhos prestados nos tribunais, onde é patente que se considera o juramento da testemunha capaz de exercer uma influência exageradamentepurificadora sobre o jogo de suas forças psíquicas. É universalmente reconhecido que, no tocante à origem das tradições e da história legendária de um povo, é preciso levar em conta esse tipo de motivo, cuja meta é apagar da memória tudo o que seja penoso para o sentimento nacional.
FREUD, Sigmund. Fragmento de Sobre a psicopatologia da vida cotidiana. Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, vol. VI, Tradução dirigida por Jayme Salomão, Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 152-153.
a) Os Textos 1 e 2 tematizam o esquecimento, associando sua ocorrência a fatores distintos. Diga quais são esses fatores e compare-os quanto à sua natureza.
b) No experimento descrito no Texto 1, que relação foi observada entre a menor atividade do córtex pré-frontal e o desempenho dos participantes na tarefa proposta?
c) Leia o período abaixo, extraído do Texto 2 (linhas 5-7), e retire o termo oracional que exerce a mesma função sintática de muito divertida em O menino achou muito divertida a comédia.
“Assim, parece-me que ele ainda não foi enfatizado com força suficiente na avaliação dos testemunhos prestados nos tribunais, onde é patente que se considera o juramento da testemunha capaz de exercer uma influência exageradamente purificadora sobre o jogo de suas forças psíquicas.”
Texto 3
Todos os retratos que tenho de minha mãe não me dão nunca a verdadeira fisionomia que eu guardo dela – a doce fisionomia daquele seu rosto, daquela melancólica beleza de seu olhar. Ela passava o dia inteiro comigo. Era pequena e tinha os cabelos pretos. Junto dela eu não sentia necessidade dos meus brinquedos. D. Clarisse, como lhe chamavam os criados, parecia mesmo uma figura de estampa. Falava para todos com um tom de voz de quem pedisse um favor, mansa
5 e terna como uma menina de internato. Criara-se em colégio de freiras, sem mãe, pois o pai ficara viúvo quando ela ainda não falava. Filha de senhor de engenho, parecia mais, pelo que me contavam dos seus modos, uma dama nascida para a reclusão.
À noite ela me fazia dormir. Adormecer nos seus braços, ouvindo a surdina daquela voz, era o meu requinte de sibarita pequeno.
10 Ela me enchia de carícias. E quando o meu pai chegava nas suas crises, exasperado como um pé-de-vento, eu a via chorar e pronta a esquecer todas as intemperanças verbais do seu marido. Os criados amavam-na. Ela também os tratava com uma bondade que não conhecia mau humor.
Horas inteiras eu fico a pintar o retrato dessa mãe angélica, com as cores que tiro da imaginação, e vejo-a assim, ainda tomando conta de mim, dando-me banhos e me vestindo. A minha memória ainda guarda detalhes bem vivos que o 15 tempo não conseguiu destruir. RÊGO, José Lins do. Menino do engenho. Rio de Janeiro: José Olympio, 1972, p. 6.
Texto 4
É sempre assim. As memórias que a gente guarda da vida experimentada vão se enfraquecendo cada vez mais. Pra dar pra elas ilusoriamente a força da realidade nós as transpomos pro mundo das assombrações por meio do exagero. (...) É um engano isso de afirmarem que a gente pode reviver, tornar a sentir as sensações e os sentimentos do passado. As memórias são fragilíssimas, degradantes e sintéticas pra que possam nos dar a realidade que passou tão complexa e
5 grandiosa. Na verdade o que a gente faz é povoar a inteligência de assombrações exageradas e secundariamente falsas. Esses sonhos de acordado, poderosamente revestidos de palavras, se projetam da inteligência pros sentidos e dos senti-dos pro ambiente exterior, se alargando cada vez mais. São as assombrações. Diferentes pois das sensações, as quais do ambiente exterior pros sentidos e destes pra inteligência vêm se diminuindo cada vez mais. E essas assombrações por completo diferentes de tudo quanto passou é que a gente chama de “passado”...
ANDRADE, Mário de. Táxi e crônicas no Diário Nacional. São Paulo: Duas Cidades / Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia, 1976, p.102.
a) O conceito de memória utilizado por José Lins do Rego e por Mário de Andrade apresenta significativas diferenças. Comente as distintas noções de memória nos dois textos tendo como referência a comparação entre o trecho “A minha memória ainda guarda detalhes bem vivos que o tempo não conseguiu destruir” (Texto 3, linhas 14-15) e a afirmação “As memórias que a gente guarda da vida experimentada vão se enfraquecendo cada vez mais” (Texto 4, linha 1).
b) Sem utilizar o vocábulo destacado, formule um período que seja equivalente em sentido à seguinte passagem do Texto 4 (linhas 4-5):
“As memórias são fragilíssimas, degradantes e sintéticas pra que possam nos dar a realidade que passou tão complexa e grandiosa.”
a) No Texto 3, predominam verbos no pretérito imperfeito do indicativo, ao passo que, no Texto 4, é o presente do indicativo que é mais recorrente. Explique esses predomínios levando em conta as diferenças entre os dois tipos de texto.
b) Há na passagem abaixo DOIS erros gramaticais. Reescreva o período corrigindo-os.
Em celebração a passagem do cinqüentenário da morte de José Lins do Rego, aconteceu, há pouco mais de um mês, na capital paraibana, várias atividades culturais promovidas pelo Governo do Estado: concurso de redação, espetáculo teatral, exibição de filme e concerto.
a) Reescreva as frases abaixo substituindo o termo sublinhado por uma oração subordinada, conforme o exemplo:
Escrevi sobre cenas de minhas lembranças remotas Æ Escrevi sobre cenas de que me lembrava remotamente.
b) A conjunção pois é utilizada com valor diferente no Texto 3 (linha 5) e no Texto 4 (linha 7). Diga qual é o valor dessa conjunção em cada caso.
Texto 5 Recordação
Agora, o cheiro áspero das flores leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos; tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo, tinham a mesma exalação de água secreta, de talos molhados, de pólen, de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores! Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix, tua boca de malmequer orvalhado, e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios, com suas estrelas e cruzes, e muitas coisas tão estranhamente escritas nas suas nervuras nítidas de folha,
– e incompreensíveis, incompreensíveis. MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1972, p.154.
a) O poema de Cecília Meireles caracteriza-se pela visão intimista do mundo, a presença de associações sensoriais e a aproximação do humano com a natureza. A memória é a fonte de inspiração do eu poético. A partir dessas afirmações, determine o gênero literário predominante no Texto 5, justificando sua resposta com suas próprias palavras.
b) Observa-se no poema a utilização de inúmeras figuras de linguagem como recurso expressivo. Destaque do texto um exemplo de prosopopéia e outro de sinestesia.
Segundo Alfredo Bosi, “O passado ajuda a compor as aparências do presente, mas é o presente que escolhe na arca as roupas velhas ou novas.” Como será o país em que você vai viver e trabalhar no futuro? De que modo o passado longínquo e recente ajuda as pessoas a construírem o futuro?
Os trechos abaixo selecionados têm por objetivo ajudá-lo a fazer uma reflexão sobre a importância da memória histórica
– passada e recente – na construção do país.
Que falta nesta cidade?...Verdade. Que mais por sua desonra?...Honra. Falta mais que se lhe ponha?...Vergonha. (...) Quem a pôs neste socrócio?...Negócio. Quem causa tal perdição?...Ambição. E no meio desta loucura?...Usura. (...) E que justiça a resguarda?...Bastarda. É grátis distribuída?...Vendida. Que tem, que a todos assusta?...Injusta. (...) A Câmara não acode?...Não pode. Pois não tem todo o poder?...Não quer. É que o Governo a convence?...Não vence.
Gregório de Matos
Você está sendo convidado a produzir um artigo de opinião a ser publicado num jornal de circulação interna da universidade. Seu artigo deve apresentar sua visão sobre o país que temos e o que podemos vir a ter. Desenvolva o tema proposto, de forma clara, coerente e com argumentação bem fundamentada. Seu texto deve ter cerca de 25 linhas. Não se esqueça de dar um título adequado ao texto. Recomenda-se que as idéias expostas nos trechos escolhidos sirvam apenas de auxílio à reflexão e não sejam copiadas. Serão valorizadas, portanto, a pertinência e a originalidade de seus argumentos.