10/12/2007
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FILOSOFIA HISTÓRIA
FILOSOFIA
1) Platão destaca, na República (livro III), a importância da educação musical dos futuros guardiões da cidade, ao dizer:
[...] a educação pela música é capital, porque o ritmo e a harmonia penetram mais fundo na alma e afetam-na mais fortemente [...]. (PLATÃO. A República. Tradução e notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. p. 133.)
De acordo com o texto e os conhecimentos sobre a relevância da educação musical dos guardiões em Platão, considere as afirmativas a seguir:
I. A música deve desenvolver agressividade e destempero para evitar o temor dos inimigos perante a guerra.
II. A música deve desenvolver sentimentos éticos nobres para bem servir a cidade e os cidadãos.
III. A música deve divertir, entreter e evocar sentimentos afrodisíacos, para alívio do temor perante a guerra.
IV. A música deve moldar qualidades como temperança, generosidade, grandeza de alma e outras similares.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeII. b) IIeIV. c) IIIeIV. d) I,IIeIII. e) I,IIIeIV.
2) Leia os textos a seguir:
A amizade perfeita é a dos homens que são bons e afins na virtude, pois esses desejam igualmente bem um ao outro enquanto bons, e são bons em si mesmos. Ora, os que desejam bem aos seus amigos por eles mesmos são os mais verdadeiramente amigos, porque o fazem em razão da sua própria natureza e não acidentalmente. (ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. Tradução de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim da versão inglesa de W. D. Ross. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 381-382. Os Pensadores IV.)
Os amigos formam uma unidade mais completa e mais perfeita do que os indivíduos isolados e, pela ajuda recíproca e desinteressada, fazem com que cada um seja mais autônomo e mais independente do que se estivesse só. (CHAUÍ, M. de S. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 323.)
Com base nos textos acima e nos conhecimentos sobre o pensamento ético e político de Aristóteles, considere as afirmativas a seguir.
I. Uma sociedade de amigos é mais perfeita e durável por considerar a lei como norma mantenedora da amizade.
II. Os amigos tornam a sociedade política perfeita ao se isolarem.
III. Os virtuosos e bons são verdadeiramente amigos por desejarem o bem reciprocamente.
IV. A amizade só pode existir entre os virtuosos, que são semelhantes em caráter; por isso, formam uma sociedade justa.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeIV. b) IIeIII. c) IIIeIV. d) I,IIeIII. e) I,IIeIV.
3) Leia o seguinte texto:
A filosofia está escrita neste imenso livro que continuamente está aberto diante de nossos olhos (estou falando do universo), mas que não se pode entender se primeiro não se aprende a entender sua língua e conhecer os caracteres em que está escrito. Ele está escrito em linguagem matemática e seus caracteres são círculos, triângulos e outras figuras geométricas, meios sem os quais é impossível entender humanamente suas palavras: sem tais meios, vagamos inutilmente por um escuro labirinto. (GALILEI, G. Il saggiatore. Apud REALE, G. & ANTISERI, D. História da filosofia. São Paulo: Paulinas, 1990, v. 2, p. 281.)
Tendo em mente o texto acima e os conhecimentos sobre o pensamento de Galileu acerca do método científico, considere as seguintes afirmativas.
I. Galileu defende o desenvolvimento de uma ciência voltada para os aspectos objetivos e mensuráveis da natureza, em oposição à física qualitativa de Aristóteles.
II. Para Galileu, é possível obter conhecimento científico sobre objetos matemáticos, tais como círculos e triângulos, mas não sobre objetos do mundo sensível.
III. Galileu pensa que uma ciência quantitativa da natureza é possível graças ao fato de que a própria natureza está configurada de modo a exibir ordem e simetrias matemáticas.
IV. Galileu considera que a observação não faz parte do método científico proposto por ele, uma vez que todo
o conhecimento científico pode ser obtido por meio de demonstrações matemáticas.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas, mencionadas anteriormente.
a) IeIII. b) IIeIII. c) IIIeIV. d) I,IIeIV. e) II, III e IV.
4) Para Hobbes,
[...] o poder soberano, quer resida num homem, como numa monarquia, quer numa assembléia, como nos estados populares e aristocráticos, é o maior que é possível imaginar que os homens possam criar. E, embora seja possível imaginar muitas más conseqüências de um poder tão ilimitado, apesar disso as conseqüências da falta dele, isto é, a guerra perpétua de todos homens com os seus vizinhos, são muito piores. (HOBBES, T. Leviatã. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988. capítulo XX, p. 127.)
Com base na citação e nos conhecimentos sobre a filosofia política de Hobbes, assinale a alternativa correta.
a) Os Estados populares se equiparam ao estado natural, pois neles reinam as confusões das assembléias. b) Nos Estados aristocráticos, o poder é limitado devido à ausência de um monarca. c) O poder soberano traz más conseqüências, justificando-se assim a resistência dos súditos. d) As vantagens do estado civil são expressivamente superiores às imagináveis vantagens de um estado de natureza. e) As conseqüências do poder soberano são indesejáveis, pois é possível a sociabilidade sem Estado.
5) É amplamente conhecido, na história da filosofia, como Descartes coloca em dúvida todo o conhecimento, até encontrar um fundamento inabalável; uma espécie de princípio de reconstituição do conhecimento. Neste processo, Descartes elege uma regra metodológica que o orientará na busca de novas verdades. A regra geral que orientará Descartes na busca de novas verdades é
a) a possibilidade do mundo externo. b) a possibilidade de unirmos corpo e alma. c) a clareza e distinção. d) a certeza dos juízos matemáticos. e) a idéia de que corpo e alma são entidades distintas.
6) Leia o texto a seguir:
Certamente, temos aqui ao menos uma proposição bem inteligível, senão uma verdade, quando afirmamos
que, depois da conjunção constante de dois objetos, por exemplo, calor e chama, peso e solidez, unicamente
o costume nos determina a esperar um devido ao aparecimento do outro. Parece que esta hipótese é a única que explica a dificuldade que temos de, em mil casos, tirar uma conclusão que não somos capazes de tirar de um só caso, que não discrepa em nenhum aspecto dos outros. A razão não é capaz de semelhante variação. As conclusões tiradas por ela, ao considerar um círculo, são as mesmas que formaria examinando todos os círculos do universo. Mas ninguém, tendo visto somente um corpo se mover depois de ter sido impulsionado por outro, poderia inferir que todos os demais corpos se moveriam depois de receberem impulso igual. Portanto, todas as inferências tiradas da experiência são efeitos do costume e não do raciocínio. (HUME, D. Investigação acerca do entendimento humano. tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1999. pp. 61-62.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de David Hume, é correto afirmar:
a) A razão, para Hume, é incapaz de demonstrar proposições matemáticas, como, por exemplo, uma proposição da geometria acerca de um círculo. b) Hume defende que todo tipo de conhecimento, matemático ou experimental, é obtido mediante o uso da razão, e pode ser justificado com base nas operações do raciocínio. c) É necessário examinar um grande número de círculos, de acordo com Hume, para se poder concluir, por exemplo, que a área de um círculo qualquer é igual a π multiplicado pelo quadrado do raio desse círculo. d) Hume pode ser classificado como um filósofo cético, no sentido de que ele defende a impossibilidade de se obter qualquer tipo de conhecimento com base na razão. e) Segundo Hume, somente o costume, e não a razão, pode ser apontado como sendo o responsável pelas conclusões acerca da relação de causa e efeito, às quais as pessoas chegam com base na experiência.
7) Leia a citação a seguir.
Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes. (ROUSSEAU, J. J. Do contrato social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1987. p. 32. Os Pensadores.)
Com base na citação acima e nos conhecimentos sobre o pensamento político de Rousseau, considere as seguintes afirmativas.
I. O contrato social só se torna possível havendo concordância entre obediência e liberdade.
II. A liberdade conquistada através do contrato social é uma liberdade convencional.
III. Por meio do contrato social, os indivíduos perdem mais do que ganham.
IV. A liberdade conquistada através do contrato social é a liberdade natural.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas, mencionadas anteriormente.
a) IeII. b) IeIII. c) IIeIV. d) I,IIIeIV. e) II, III e IV.
8) Leia o texto a seguir.
A razão humana, num determinado domínio dos seus conhecimentos, possui o singular destino de se ver atormentada por questões, que não pode evitar, pois lhe são impostas pela sua natureza, mas às quais também não pode dar respostas por ultrapassarem completamente as suas possibilidades. (KANT, I. Crítica da Razão Pura (Prefácio da primeira edição, 1781). Tradução de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 03.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Kant, o domínio destas intermináveis disputas chama-se
a) experiência. b) natureza. c) entendimento. d) metafísica. e) sensibilidade.
9) Leia o texto a seguir.
Denomino problema da demarcação o problema de estabelecer um critério que nos habilite a distinguir entre as ciências empíricas, de uma parte, e a matemática e a lógica, bem como os sistemas “metafísicos” de outra. Esse problema foi abordado por Hume, que tentou resolvê-lo. Com Kant, tornou-se o problema central da teoria do conhecimento. (POPPER, K. R. A Lógica da Pesquisa Científica. Tradução de Leonidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. São Paulo: Cultrix, 1972. p. 35.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Popper, assinale a alternativa correta.
a) Os enunciados metafísicos devem ser eliminados do discurso científico por serem destituídos de conteúdo cognitivo. b) O problema da demarcação encontra solução na lógica indutiva. c) O problema da demarcação, assim como o problema da indução, não tem uma solução racional. d) A metafísica deve ser eliminada por não constituir um problema cientificamente relevante. e) Os enunciados metafísicos não fazem parte do discurso científico por não serem passíveis de falseamento.
10) Leia o texto a seguir.
O saber que é poder não conhece nenhuma barreira, nem na escravização da criatura, nem na complacência em face dos senhores do mundo. Do mesmo modo que está a serviço de todos os fins da economia burguesa na fábrica e no campo de batalha, assim também está à disposição dos empresários, não importa sua origem. (ADORNO, T. W. & HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Tradução de Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1991. p. 20.)
Com base no texto e no conhecimento dos conceitos de esclarecimento e racionalidade instrumental em Adorno e Horkheimer sobre o referido saber, é correto afirmar:
a) Seu conteúdo é racional por si mesmo e de natureza crítico-reflexiva. b) É principalmente técnico e carente de conteúdo racional por si mesmo. c) Tem uma dimensão reflexiva e seus objetivos são racionais por si mesmos. d) É caracterizado por forças sobrenaturais indomáveis que animam tudo. e) Estabelece limites para o domínio nas relações sócio-econômicas.
11) De acordo com a ética do discurso, os argumentos apresentados a fim de validar as normas
[...] têm força de convencer os participantes de um discurso a reconhecerem uma pretensão de validade, tanto para a pretensão de verdade quanto para a pretensão de retidão. [...] Ele [Habermas] defende a tese de que as normas éticas são passíveis de fundamentação num sentido análogo ao da verdade. (BORGES, M. de L.; DALL’AGNOL, D. ; DUTRA, D. V. Ética. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p. 105.)
Assim, é correto afirmar que a ética do discurso defende uma abordagem cognitivista da ética (HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Tradução Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileira, 1989.
p. 62e78.)
Sobre o cognitivismo da ética do discurso, é correto afirmar:
a) A ética do discurso procura dar continuidade à abordagem cognitivista já presente em Kant. b) A abordagem cognitivista da ética do discurso assume a impossibilidade de validação das normas morais. c) A abordagem cognitivista da ética do discurso se apóia no conhecimento da utilidade das ações tal como pretendia
Jeremy Bentham. d) A abordagem cognitivista da ética do discurso procura dar continuidade às teses aristotélicas sobre a retórica. e) A ética do discurso, ao abordar a ética de um ponto de vista cognitivista, segue as teorias emotivistas e decisionistas.
12) Na República, Platão faz a seguinte consideração sobre os poetas:
[...] devemos começar por vigiar os autores de fábulas, e selecionar as que forem boas, e proscrever as más. [...] Das que agora se contam, a maioria deve rejeitar-se. [...] As que nos contaram Hesíodo e Homero – esses dois e os restantes poetas. Efectivamente, são esses que fizeram para os homens essas fábulas falsas que contaram e continuam a contar. (PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 8. ed. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. p. 87-88.)
Por seu turno, na Poética, Aristóteles diz o seguinte a respeito dos poetas:
[...] quando no poeta se repreende uma falta contra a verdade, há talvez que responder como Sófocles: que representava ele os homens tais como devem ser, e Eurípides, tais como são. E depois caberia ainda responder: os poetas representam a opinião comum, como nas histórias que contam acerca dos deuses: essas histórias talvez não sejam verdadeiras, nem melhores; [...] no entanto, assim as contam os homens. (ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 468. Os Pensadores IV.)
Com base nos textos acima e nos conhecimentos sobre o pensamento estético de Platão e de Aristóteles, assinale a alternativa correta.
a) Para Platão e Aristóteles, apesar da importância de poetas como Homero, na educação tradicional grega, as fábulas que compuseram são perigosas para a formação da juventude. b) Platão critica os poetas por dizerem o falso e apresentarem deuses e heróis de maneira desonrosa, enquanto Aristóteles os elogia por falarem o verdadeiro. c) Platão e Aristóteles concordam com o fato de o poeta falar o falso, só que para Platão suas fábulas são indignas para a juventude, enquanto que, para Aristóteles, a poesia por ser mímesis não precisa dizer a verdade. d) O problema para Platão é que Homero e os outros poetas falam sobre o mundo sensível e não sobre a verdade; já Aristóteles acredita que eles devem ser repreendidos por isso. e) Falar o falso para Platão é problemático porque o falso pode passar pelo verdadeiro; para Aristóteles, o poeta apresenta a verdadeira realidade.
13) Quatro tipos de causas podem ser objeto da ciência para Aristóteles: causa eficiente, final, formal e material. Assinale a alternativa correta em que as perguntas correspondem, respectivamente, às causas citadas. a) Por que foi gerado? Do que é feito? O que é? Quem gerou? b) O que é? Do que é feito? Por que foi gerado? Quem gerou? c) Do que é feito? O que é? Quem gerou? Por que foi gerado? d) Por que foi gerado? Quem gerou? O que é? Do que é feito? e) Quem gerou? Por que foi gerado? O que é? Do que é feito?
14) Leia o seguinte texto de Descartes:
[...] considerei em geral o que é necessário a uma proposição para ser verdadeira e certa, pois, como acabara de encontrar uma proposição que eu sabia sê-lo inteiramente, pensei que devia saber igualmente em que consiste essa certeza. E, tendo percebido que nada há no “penso, logo existo” que me assegure que digo a verdade, exceto que vejo muito claramente que, para pensar, é preciso existir, pensei poder tomar por regra geral que as coisas que concebemos clara e distintamente são todas verdadeiras. (DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 57.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento cartesiano, é correto afirmar:
a) Para Descartes, a proposição “penso, logo existo” não pode ser considerada como uma proposição indubitavelmente verdadeira. b) Embora seja verdadeira, a proposição “penso, logo existo” é uma tautologia inútil no contexto da filosofia cartesiana. c) Tomando como base a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que o que é necessário para que uma proposição qualquer seja verdadeira é que ela enuncie algo que possa ser concebido clara e distintamente. d) Descartes é um filósofo cético, uma vez que afirma que não é possível se ter certeza sobre a verdade de qualquer proposição. e) Tomando como exemplo a proposição "penso, logo existo", Descartes conclui que uma proposição qualquer só pode ser considerada como verdadeira se ela tiver sido provada com base na experiência.
15) Leia o texto a seguir.
Como o costume nos determina a transferir o passado para o futuro em todas as nossas inferências, esperamos — se o passado tem sido inteiramente regular e uniforme — o mesmo evento com a máxima segurança e não toleramos qualquer suposição contrária. Mas, se temos encontrado que diferentes efeitos acompanham causas que em aparência são exatamente similares, todos estes efeitos variados devem apresentar-se ao espírito ao transferir o passado para o futuro, e devemos considerá-los quando determinamos a probabilidade do evento. (HUME, D. Investigações acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. São Paulo: Nova Cultural, 1996, p. 73.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre Hume, é correto afirmar:
a) Hume procura demonstrar o cálculo matemático de probabilidades. b) Hume procura mostrar o mecanismo psicológico pelo qual a crença se fixa na imaginação. c) Para Hume, há uma conexão necessária entre causa e efeito. d) Para Hume, as inferências causais são a priori. e) Hume procura mostrar que crença e ficção produzem o mesmo efeito na imaginação humana.
16) Considerando a solução apresentada por Karl Popper ao problema da indução nos métodos de investigação científica, é correto afirmar que, para ele, o método científico
a) é indutivo e racional. b) é dedutivo e irracional. c) é indutivo e irracional. d) não segue os padrões de racionalidade impostos pela lógica. e) é dedutivo e racional.
17) Leia o texto a seguir:
Dado que dos hábitos racionais com os quais captamos a verdade, alguns são sempre verdadeiros, enquanto outros admitem o falso, como a opinião e o cálculo, enquanto o conhecimento científico e a intuição são sempre verdadeiros, e dado que nenhum outro gênero de conhecimento é mais exato que o conhecimento científico, exceto a intuição, e, por outro lado, os princípios são mais conhecidos que as demonstrações, e dado que todo conhecimento científico constitui-se de maneira argumentativa, não pode haver conhecimento científico dos princípios, e dado que não pode haver nada mais verdadeiro que o conhecimento científico, exceto a intuição, a intuição deve ter por objeto os princípios. (ARISTÓTELES. Segundos Analíticos, B 19, 100 b 5-17. In: REALE, G. História da Filosofia Antiga. São Paulo: Loyola, 1994.)
Considere as afirmativas a seguir a partir do conteúdo do texto acima.
I. Todo conhecimento discursivo depende de um conhecimento imediato.
II. A intuição é um hábito racional que é sempre verdadeiro.
III. Os princípios da ciência devem ser demonstrados cientificamente.
IV. O conhecimento científico e a opinião não admitem o falso.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas, mencionadas anteriormente.
a) IeII. b) IeIII. c) IIeIV. d) I,IIIeIV. e) II, III e IV.
18) Sobre a “indústria cultural”, segundo Adorno e Horkheimer, é correto afirmar: a) Desenvolve o senso crítico e a autonomia de seus consumidores. b) Reproduz bens culturais que brotam espontaneamente das massas. c) O valor de troca é substituído pelo valor de uso na recepção da arte. d) Padroniza e nivela a subjetividade e o gosto de seus consumidores. e) Promove a imaginação e a espontaneidade de seus consumidores.
19) Leia o seguinte texto de Descartes:
Essas longas cadeias de razões, todas simples e fáceis, de que os geômetras costumam se utilizar para chegar às demonstrações mais difíceis, haviam-me dado oportunidade de imaginar que todas as coisas passíveis de cair sob domínio do conhecimento dos homens seguem-se umas às outras da mesma maneira e que, contanto que nos abstenhamos somente de aceitar por verdadeira alguma que não o seja, e que observemos sempre a ordem necessária para deduzi-las umas das outras, não pode haver, quaisquer que sejam, tão distantes às quais não se chegue por fim, nem tão ocultas que não se descubram. (DESCARTES, R. Discurso do método. Tradução de Elza Moreira Marcelina. Brasília: Editora da Universidade de Brasília; São Paulo: Ática, 1989. p. 45.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Descartes, é correto afirmar que:
a) Para Descartes, o conhecimento é obtido partindo-se da experiência, isto é, da observação da natureza, e depois generalizando os resultados de tais observações. b) Segundo Descartes, qualquer coisa que a razão humana é capaz de conhecer pode ser alcançada, partindo-se de verdades evidentes, e aplicando a dedução lógica a essas verdades. c) Para Descartes, é possível apenas obter um conhecimento aproximado, probabilístico, acerca de qualquer objeto, não sendo de modo algum alcançável o conhecimento da verdade, independente do assunto em questão.
d) Descartes pensa que, independentemente das premissas das quais se parte ao se procurar obter conhecimento sobre um determinado assunto, a verdade sobre tal assunto será alcançada desde que os princípios da lógica dedutiva sejam aplicados corretamente.
e) Para Descartes, não há verdades evidentes, de modo que para se obter conhecimento sobre qualquer assunto, é necessário realizar longas séries de demonstrações difíceis, como aquelas que são habitualmente desenvolvidas pelos geômetras.
20) Leia o texto a seguir:
[...] não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer
dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e
o poeta por escreverem verso ou prosa [...] (ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 249.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a poesia e a história em Aristóteles, é correto afirmar:
a) A poesia refere-se mais ao particular e é menos filosófica que a história. b) A história refere-se mais ao universal e é mais filosófica que a poesia. c) O poeta narra o acontecido e o historiador representa o possível. d) O ofício do historiador trata do mito e é mais sério que o do poeta. e) A poesia refere-se, principalmente, ao universal; a história, ao particular.
HISTÓRIA
21) Leia o texto a seguir.
[...] Com a boa sorte do Povo de Atenas. Que os legisladores resolvam: se alguém se rebelar contra o Povo visando implantar a Tirania, ou junta-se a conspiradores, ou se alguém atenta contra o povo de Atenas ou contra a Democracia, em Atenas, se alguém cometeu algum destes crimes, quem o matar estará livre de processo. [...] Se alguém, quando o Povo ou a Democracia, em Atenas, tiver sido deposto, dirigir-se-á ao Areópago, reunindo-se em conselho, deliberando sobre qualquer assunto, perderá sua cidadania, pessoalmente e seus descendentes, seus bens confiscados, cabendo à Deusa o dízimo [...]. (Lei Ateniense contra a Tirania, 337-6 a.C. Estela de mármore, com um relevo representando a Democracia ao coroar o Povo de Atenas.(In HARDING 1985, p. 127) Apud FUNARI, P. P. A. Antigüidade Clássica. A história e a cultura a partir dos documentos. Campinas: Editora da Unicamp, 2003. 2 ed. p. 90.)
A lei Ateniense contra a tirania de 337-6 a.C. insere-se na passagem da cidade independente para o estado imperial helenístico. Neste contexto, analise as afirmações a seguir:
I. As póleis gregas encontraram-se, no decorrer do século IV a.C., crescentemente marcadas pelas disputas internas e externas.
II. Esse documento retrata os conflitos em Atenas, uma vez que sua leitura evidencia a necessidade de instrumentos legais para a defesa interna da democracia.
III. As póleis gregas encontravam-se em um momento de paz, no decorrer do século IV a.C., sem que houvesse
o risco de atentados contra a democracia.
IV. Em um momento em que as cidades gregas perdiam sua autonomia, procurava-se preservar as relações de poder no interior da polis.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeIII. b) IeIV. c) IIeIII. d) I,IIeIV. e) II, III e IV.
22) Os animais da Itália possuem cada um sua toca, seu abrigo, seu refúgio. No entanto, os homens que combatem e morrem pela Itália estão à mercê do ar e da luz e nada mais: sem lar, sem casa, erram com suas mulheres e crianças. Os generais mentem aos soldados quando, na hora do combate, os exortam a defender contra o inimigo suas tumbas e seus lugares de culto, pois nenhum destes romanos possui nem altar de família, nem sepultura de ancestral. É para o luxo e enriquecimento de outrem que combatem e morrem tais pretensos senhores do mundo, que não possuem sequer um torrão de terra. (Plutarco, Tibério Graco, IX, 4. In: PINSKY, J. 100 Textos de História Antiga. São Paulo: Contexto, 1991. p. 20.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, pode-se afirmar que a Lei da Reforma Agrária na Roma Antiga
a) proposta pelos irmãos Graco, Tibério e Caio, era uma tentativa de ganhar apoio popular para uma nova eleição de Tribunos da Plebe, pois pretendiam reeleger-se para aqueles cargos. b) proposta por Tibério Graco, tinha como verdadeiro objetivo beneficiar os patrícios, ocupantes das terras públicas que haviam sido conquistadas com a expansão do Império. c) tinha o objetivo de criar uma guerra civil, visto que seria a única forma de colocar os plebeus numa situação de igualdade com os patrícios, grandes latifundiários. d) era vista pelos generais do exército romano como uma possibilidade de enriquecer, apropriando-se das terras conquistadas e, por isto, tinham um acordo firmado com Tibério. e) foi proposta pelos irmãos Graco, que viam na distribuição de terras uma forma de superar a crise provocada pelas conquistas do período republicano, satisfazendo as necessidades de uma plebe numerosa e empobrecida.
23) Aqui em baixo uns rezam, outros combatem e outros ainda trabalham. (DE LAON, Adalberão. Carmen ad Rodbertum Regem. In: DUBY, G. As tres ordens:o imaginário do feudalismo. Lisboa: Editora Estampa, 1982. p. 25.)
Esse preceito, apresentado inicialmente pelo bispo Adalberão, no século XI, em parte reflete as funções/atividades mais características do período medieval, em parte tem função ideológica, pois esse ordenamento pretendia fortalecer a divisão e a hierarquia. Ainda sobre a sociedade medieval, é correto afirmar:
a) A divisão acima mencionada reflete uma sociedade na qual a religiosidade se impõe nas várias esferas da vida, em que o braço armado tende a impor seu poder sobre os desarmados, em que a economia se fundamenta no trabalho agrícola.
b) Definida a sociedade entre religiosos, guerreiros e camponeses a partir do Tratado de Verdum, as atividades não permitidas pela Igreja foram perseguidas pelos tribunais inquisitoriais.
c) Diante da limitação das funções às três ordens e perseguição aos comerciantes promovida pelas monarquias nascentes, a atividade comercial declinou, situação essa que se reverteu no século XVI no contexto do Renascimento Comercial.
d) O poder eclesiástico se impunha a partir do momento do batismo, quando era definido o destino de cada criança, de acordo com as necessidades fundadas na sociedade de ordens. e) A divisão apresentada, característica do período entre os séculos XI e XIII, revela a estagnação econômica da sociedade, o que explica a crise agrícolaeorecuo demográfico.
24) Sobre a religiosidade medieval, é correto afirmar:
a) Com o fim do Império Romano, o Cristianismo, até então perseguido, difundiu-se pela Europa, sendo seus adeptos liberados dos impostos pagos pelos idólatras. b) A prática da bruxaria, então disseminada nos meios clericais, provocou a reação dos crentes e a Revolução Protestante, levando à renovação da experiência cristã. c) O ateísmo foi combatido duramente pela inquisição, tendo como conseqüência o desaparecimento dos descrentes até o século XVIII. d) A experiência da reclusão foi bastante característica na vida religiosa do período medieval, sobressaindo-se a ordem beneditina, fundada sobre o princípio da vida dedicada à oração e ao trabalho. e) A ativa participação dos leigos na instituição eclesiástica, assim como uma tendência ao enfraquecimento da hierarquia dessa, podem ser apontadas como características do período.
25) Observe a imagem a seguir:
(Detalhe da Tapeçaria de Bayeux (c. 1066-1077). Disponivel em: www.ricardocosta.com/textos/bayeux1.htm. Acesso em: 24 out. 2007.)
Com base na imagem, considere as afirmativas a seguir:
I. A cultura medieval caracterizou-se pela ausência de uma expressão artística própria, o que redundou na retomada dos elementos da cultura clássica no Renascimento.
II. A exemplo da Tapeçaria de Bayeux, manta encomendada para cobrir o corpo de Carlos Magno, a expressão cultural dos homens do período medieval era fundada na confecção de objetos menores, fáceis de transportar.
III. O bordado conservado é um exemplar de expressão cultural não voltado para a liturgia ou culto cristão, o que não era comum, pois grande parte da arte que se conservou está relacionada à religiosidade.
IV. A tapeçaria apresenta um relato da invasão normanda na Inglaterra e traz características da arte do período como a simplicidade das formas e economia de elementos.
A partir da imagem dada e dos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeIV. b) IIIeIV. c) IIeIII. d) I,IIeIII. e) I,IIeIV.
26) [...] Diderot aprendera que não bastava o conhecimento da ciência para mudar o mundo, mas que era necessário aprofundar o estudo da sociedade e, principalmente, da história. Tinha consciência, por outro lado, que estava trabalhando para o futuro e que as idéias que lançava acabariam frutificando. (FONTANA, J. Introdução ao estudo da História Geral. Bauru, SP: EDUSC, 2000. p. 331.)
Com base no texto, é correto afirmar:
a) As contribuições das ciências naturais são suficientes para melhorar o convívio humano e social. b) Idéias não passam de projetos que, enquanto não são concretizadas, em nada contribuem para o progresso humano. c) Diderot considerava importante o conhecimento das ciências humanas para o aprimoramento da sociedade. d) Para o autor, os historiadores recorrem ao passado, enquanto os filósofos questionam a própria existência da socie
dade. e) A ciênciaeoprogresso material são suficientes para conduzir à felicidade humana.
27) A imprensa torna-se o mecanismo de divulgação das idéias e, por meio da publicação de livros, constrói um clima de liberdade para o debate. As publicações envolvem tanto as obras novas como as antigas e abrem espaço para o aumento das traduções que vão requerer um conhecimento não só do latim, mas também do grego e do hebraico. As publicações nas línguas locais se ampliam facilitando o acesso à informação. A ciência se seculariza. (RODRIGUES, A.E.; FALCON, F. A formação do mundo moderno. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.)
Com base no texto, é correto afirmar:
a) Uma vez registrada e pública, a cultura escrita dominou toda a Europa medieval. b) O latim era a linguagem da cultura cristã, o grego da clássica e o hebraico da bíblica. c) A imprensa foi fundamental para o domínio cristão empreendido além-mar. d) A informação excessiva cindiu a cultura moderna em vários sistemas de pensamento. e) A divulgação dos saberes foi incrementada e acelerada mediante a publicação de livros.
28) Aliás, o governo, embora seja hereditário numa família, e colocado nas mãos de um só, não é um bem particular, mas um bem público que, consequentemente, nunca pode ser tirado das mãos do povo, a quem pertence exclusiva e essencialmente e como plena propriedade. [...] NãoéoEstado que pertence ao Príncipe, é o Príncipe que pertence ao Estado. Mas governar o Estado, porque foi escolhido para isto, e se comprometeu com os povos a administrar os seus negócios, e estes por seu lado, comprometeram-se a obedecê-lo de acordo com as leis. (DIDEROT, D. (1717-1784). Verbetes políticos da Enciclopédia. São Paulo: Discurso, 2006.)
Com base no texto, é correto afirmar:
a) Mesmo em monarquias absolutas, o soberano é responsável pelos seus súditos. b) Ao Príncipe são concedidos todos os poderes, inclusive contra o povo de seu reino. c) O governante é ungido pelo povo, podendo agir como bem lhe convier. d) O povo governa mediante representante eleito por sufrágio universal. e) Príncipes, junto com o povo, administram em prol do bem comum.
29) A Revolução Francesa representou uma ruptura da ordem política (o Antigo Regime) e sua proposta social desencadeou
a) a concentração do poder nas mãos da burguesia, que passou a zelar pelo bem-estar das novas ordens sociais. b) a formação de uma sociedade fundada nas concepções de direitos dos homens, segundo as quais todos nascem iguais e sem distinção perante a lei. c) a formação de uma sociedade igualitária regida pelas comunas, organizadas a partir do campo e das periferias
urbanas. d) convulsões sociais, que culminaram com as guerras napoleônicas e com a conquista das Américas. e) o surgimento da soberania popular, com eleição de representantes de todos segmentos sociais.
30) Analise o mapa a seguir:
Este mapa indica a fase da expansão européia referente
a) à colonização do Brasil e ao comércio triangular. b) aos domínios coloniais ibéricos e suas possessões além-mar. c) à expansão lusa denominada “Carreira das Índias”. d) ao comércio triangular do Atlântico Norte. e) ao auge do comércio desencadeado pelo tráfico negreiro.
31) As interpretações predominantes afirmam que a escravidão nos Estados Unidos da América foi abolida devido ao fato de que:
I. O sistema escravista era incompatível com o funcionamento da República que, pela Constituição de 1776, previa igualdade plena de direitos à população.
II. Existia uma rivalidade entre o Norte industrializado e o Sul agrícola, que desencadeou uma guerra na qual
o resultado final foi favorável ao Norte.
III. A escravidão limitava o crescimento do mercado interno ao diminuir a renda dos trabalhadores.
IV. Por ser o último país a permiti-la, os EUA estavam submetidos a fortes pressões, inclusive dos líderes religiosos, que ameaçaram excomungar os proprietários de escravos.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeII. b) IIeIII. c) IIIeIV. d) I,IIeIV. e) I,IIIeIV.
32) Leia o texto a seguir:
[...] Aqueles que deixaram a Espanha para converter os índios viram-se incumbidos de uma missão de especial importância no esquema divino da história, pois a conversão do Novo Mundo era um prelúdio necessário para seu término e para a segunda vinda de Cristo. Acreditavam também que, entre esses povos inocentes da América ainda não contaminados pelos vícios da Europa, poderiam construir uma Igreja que se aproximasse da de Cristo e os primeiros apóstolos. Os primeiros estágios da missão americana, com o batismo em massa de centenas de milhares de índios, pareciam garantir o triunfo desse movimento em prol de um retorno ao cristianismo primitivo que havia tão repetidamente sido frustrado na Europa. [...] No entanto, embora o índice de conversão fosse espetacular, sua qualidade deixava muito a desejar. Havia sinais alarmantes de que os índios que haviam adotado a fé com aparente entusiasmo ainda veneravam seus velhos ídolos em segredo. Os missionários também se chocaram contra muralhas de resistência nos pontos em que suas tentativas de incutir os ensinamentos morais do cristianismo conflitavam com padrões de comportamento estabelecidos havia muito tempo. Não era fácil, por exemplo, inculcar as virtudes da monogamia a uma sociedade que via as mulheres como servas e o acúmulo de mulheres como fonte de riqueza. (ELLIOT, J. H. A conquista espanhola e a colonização da América. In: BETHELL, L. (org.). História da América Latina: América Latina Colonial I. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998, v. 1 p. 185-186.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a colonização das Américas portuguesa e espanhola, é correto afirmar:
a) As ordens religiosas que no novo mundo se instalaram utilizaram-se do ouro existente em abundância e do trabalho indígena para conquistá-los para a fé cristã, prometendo-lhes defender suas terras, espaço de sobrevivência terrena, e o reino dos céus, lugar do descanso após a morte.
b) A primeira geração de missionários percebeu que os índios não conseguiam compreender a diferença entre adoração a uma imagem e o conteúdo religioso que ela representava. Para solucionar esse problema, algumas imagens de deuses indígenas foram inseridas nas igrejas católicas construídas nas colônias.
c) Quando os missionários das diversas ordens religiosas perceberam que os indígenas eram desobedientes e necessitavam de cuidado especial, propuseram à Coroa espanhola que estimulasse o casamento misto como forma de forçar a adoção – por parte dos nativos – da Fé Cristã.
d) As comunidades indígenas existentes nas Américas portuguesa e espanhola, juntamente com os missionários, investiram no cultivo da terra e exportação de produtos manufaturados para a Europa.
e) A Espanha, baluarte do catolicismo, investiu na conquista religiosa dos nativos acreditando, a princípio, que os indígenas, por não conhecerem nem terem tido contato com os defeitos morais e maus hábitos existentes no velho mundo, fossem mais propensos à conversão para a Fé Católica.
33) A emancipação das colônias hispano-americanas, liderada pelos grandes senhores de terras e pela burguesia criolla, encontrou apoio nos setores médios e populares, os quais, em alguns momentos, chegaram a ameaçar a estrutura de dominação de classe imposta pelo regime colonial. Entretanto, com exceção dos Estados Unidos, que implantaram um regime liberal burguês, no restante da América a independência revelou-se um fato político. Realizada a autonomia, rompidos os vínculos com as metrópoles, as classes dominantes das antigas colônias tomaram o poder e constituíram Estados Nacionais que mantiveram afastada das decisões políticas a massa da população trabalhadora (majoritariamente indígena, camponesa ou não). A estrutura colonial não sofreu qualquer alteração de peso. A Inglaterra abriu mais ainda a sua porta no continente, assegurando-se de mercados consumidores e de matérias-primas; a propriedade territorial continuou nas mesmas mãos, a despeito de algumas tentativas de líderes liberais das Guerras de Independência; a população camponesa permaneceu sob a exploração e o domínio dos seus antigos senhores. (AQUINO, R. S. L. de; LEMOS, N. J. F.; LOPES, O. G. P. C. História das sociedades americanas. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 165-166.)
De acordo com o texto, é correto afirmar:
a) A América hispânica estava vivenciando, já há algum tempo, um maior grau de liberdade comercial em função da crise econômica metropolitana, bem como a crise política desencadeada pelo domínio francês, entre os anos de 1808 a 1813.
b) O fenômeno da emancipação política na Nova Espanha foi peculiar na América. A Revolução Mexicana foi o movimento mais representativo do descontentamento da parcela camponesa da população contra o autoritarismo e dominação da Espanha, culminando na emancipação do território do México.
c) Em toda a América hispânica e também na portuguesa, o processo de lutas pela emancipação dos diversos espaços geográficos que futuramente se constituiram em espaços nacionais, foi conduzido pela Igreja, que lucraria com as emancipações, agregando mais terras ao seu já rico patrimônio.
d) A participação dos Estados Unidos nos processos de independência das Américas foi de crucial importância para a adoção do Regime Republicano pelos espaços recém-independentes. e) Após sua independência, a América portuguesa rompeu os laços com a metrópole – Portugal – e aliou-se às forças de Napoleão Bonaparte, adotando para esse espaço recém-independente os princípios da Revolução Francesa.
34) [...] o modernismo induz intelectuais latino-americanos a redescobrir o povo, o que pode levá-los a descobrir camponeses e operários, ou índios e negros. O vínculo com a cultura universal não impõe necessariamente um caráter dependente ou ’alienado’ à totalidade de nossa cultura. (IANNI, O. apud. PINSKY, J. et al. História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 1994. textos e documentos, v. 4, p. 88.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema é correto afirmar:
a) A produção cultural referente à época do modernismo caracterizou-se pela valorização da mestiçagem entre europeus e indígenas como elemento fundamental para o estabelecimento de uma identidade cultural homogênea aos países latino-americanos.
b) No modernismo hispano-americano e brasileiro sobressaiu-se a tendência de linhas retas e pouco uniformes, herança ainda dos artistas pertencentes à Escola Francesa, trazida por D. João ao Brasil. c) A produção cultural relativa à época moderna foi influenciada pelo positivismo, permitindo que a “América” descobrisse a “América” através de novas formas de retratar os povos americanos.
d) Vinculado a uma cultura universal, o modernismo não conseguiu tocar os imaginários sociais sobre a questão das características próprias de cada país, sendo que o olhar do europeu sobre a América é que se sobressaiu e foi valorizado nas obras deste período.
e) O modernismo proporcionou aos artistas e intelectuais americanos a formação de uma consciência social, de caráter nacional-popular, produzindo uma contraposição à subordinação vivenciadas nesses territórios e valorizando a cultura nacional.
35) Sobre o populismo, é correto afirmar:
a) A devolução das terras da Igreja Católica e a indenização das famílias dos presos políticos se constituem em algumas das medidas usuais no século XX na América Latina que foram idealizadas no governo populista de Juan Domingo Perón.
b) Ao analisarmos o período denominado populista, no Brasil, dois aspectos são relevantes: o primeiro diz respeito às demissões de professores universitários contrários ao regime; e o segundo; à ausência do Estado para arbitrar o conflito entre a classe operária e os patrões.
c) O regime populista, no Brasil, configurou-se em uma resposta ao militarismo, uma vez que a sociedade havia perdido
o direito às liberdades políticas, de imprensa e de expressão artística. d) O populismo, expresso através do fortalecimento do poder legislativo, caracterizou-se como um movimento da burguesia para controlar a remessa de lucros do capital nacional ao exterior, que era feito através da compra de ações de empresas estrangeiras. e) O populismo constitui-se em um movimento político que se configurou em uma forma de administração estatal.
Esteve presente em vários países latino-americanos, como no México com Lázaro Cárdenas, na Argentina com Juan Domingo Perón e no Brasil com Getúlio Vargas.
36) A conquista espanhola, em todas as regiões onde se viu coroada de êxito, conduziu a um processo de crise geral das culturas submetidas. Em certas situações, como no caso Arawak das Antilhas, levou ao completo desaparecimento físico da população conquistada. Noutros casos, como no México ou no Peru, ainda que não tenha eliminado totalmente a população indígena, provocou alterações e deformações profundas na cultura e no modo de vida dos povos conquistados. (VAINFAS, R. Economia e sociedade na América espanhola. Rio de Janeiro: Graal, 1984. p. 40.)
De acordo com o texto e com os conhecimentos sobre o tema é correto afirmar:
a) A historiografia hispano-americana explica que a baixa populacional indígena está diretamente vinculada à prática do homicídio entre os nativos, quando estes perceberam que seriam obrigados a adotar o cristianismo como religião única. A baixa demográfica, desse modo, está relacionada a uma falta do conhecimento dos preceitos da Fé Cristã, que condena o atentado contra a própria vida.
b) Vírus e bactérias até então desconhecidos pelos nativos foram responsáveis pela baixa populacional indígena. Sem imunidade para várias doenças como sarampo, gripe, asma, tuberculose e sífilis, a população nativa adoecia e morria rapidamente. A Coroa espanhola procurou enviar médicos para as colônias mas, como as viagens por mar eram muito demoradas, a população não conseguiu resistir.
c) A crise das culturas indígenas americanas deu-se em função das diversas alterações empreendidas pelos europeus nas colônias: instalação de uma economia mercantil que redefiniu o ritmo e a intensidade do trabalho; modificação dos cultivos que fez com que mudasse a dieta dos nativos; deslocamento de aldeias causando distúrbios ecológicos e culturais; atitudes de autodestruição ao verem ruir seus costumes; epidemias e falta de imunidade, entre outros.
d) As mulheres indígenas adotaram, em massa, práticas abortivas, impedindo a perpetuação das diversas culturas nativas e forçando os europeus a importarem da África a mão-de-obra escrava necessária. A baixa demográfica, desse modo, pode ser explicada pela vinda de africanos para a América e a intensa miscigenação iniciada nesse momento.
e) A superioridade armamentista dos espanhóis foi responsável pela dizimação da maior parte da população indígena, pois, ao depararem-se com armas superiores, os nativos não tinham como se defender. Embora existisse o comércio informal de armas – contrabando – os indígenas não conseguiam comprá-las e assim continuavam em desvantagem utilizando arcos e flechas com pontas envenenadas.
37) Leia o texto seguinte sobre a Revolução Industrial e algumas de suas conseqüências:
Essa revolução industrial, que nasceu na Inglaterra do século XVIII e se propaga, no século XIX, pelo continente, na França, na Bélgica, a Oeste da Alemanha, no Norte da Itália e em alguns pontos da península ibérica, repousa no uso de uma nova fonte de energia, o carvão, e nos desenvolvimentos das máquinas, depois das invenções que modificam as técnicas de fabricação. A conjunção desses dois fatores, a aplicação dessa energia nova à maquinaria, constitui a origem da revolução industrial, cujo símbolo é a máquina a vapor. (RÉMOND, R. O século XIX: 1815-1914. Introdução à história de nosso tempo -2. São Paulo: Editora Cultrix, 1976. p. 103.)
Considere as afirmativas a seguir:
I. Com a Revolução Industrialeocrescimento da nova indústria, surgiu uma classe inteiramente nova de trabalhadores que são os operários assalariados.
II. O crescimento das unidades industriais a partir da Revolução Industrial propiciou também o surgimento da categoria de empresários possuidores de capitais.
III. A Revolução Industrial atingiu mais a população campesina que a urbana, pois esta se constituía em parcela da sociedade excluída das transformações empreendidas nas cidades.
IV. A Revolução Industrial não solucionou os problemas dos trabalhadores. O número de empregos era menor que o de mão-de-obra disponível e, assim, surgiu o chamado “exército de reserva de mão-de-obra”.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeII. b) IIeIII. c) IIIeIV. d) I,IIeIV. e) I,IIIeIV.
38) Sobre a Revolução Industrial, é correto afirmar:
a) As Américas anglo-saxônica, hispânica e portuguesa não vivenciaram, como a Europa, o crescimento da mão-deobra e a conseqüente baixa nos salários em função de uma melhor distribuição dos trabalhadores entre o campo e a cidade.
b) Os países que não vivenciaram o fenômeno da grande indústria conservaram-se agrícolas e não foram afetados pela supervalorização dada ao capital após a citada revolução. c) O comércio internacional pós revolução provocou uma especialização da produção dividindo o mundo entre áreas produtoras de matérias-primas e áreas industriais e propiciando o acúmulo de capital nos países industrializados. d) Os movimentos sociais surgidos nesse período foram responsáveis pela disseminação das idéias de liberdade e igualdade para todoseocumprimento da lei do direito ao voto para as mulheres que trabalhavam nas fábricas. e) Mesmo tendo aumentado o número de produtos manufaturados no mercado, a Revolução Industrial não significou, no primeiro século, avanços e progresso tecnológico.
39) Observe a imagem a seguir:
Com base na imagem, considere as afirmativas a seguir.
I. No século XIX, com a descoberta de novas técnicas e a conseqüente mecanização da produção, os industriais intensificaram a exploração da mão-de-obra para recuperar os investimentos com as maquinarias e aumentar os lucros com a produção. Para conseguir tal intento, os assalariados tinham que cumprir em média 15 horas de trabalho por dia, sendo que mulheres e crianças – consideradas inferiores – foram comumente utilizadas como mão-de-obra por se constituírem em força de trabalho mais barata.
II. A crise econômica que arrasou a Inglaterra na segunda metade do século XIX abriu espaço para que os Estados Unidos colocassem no mercado seus produtos industrializados. A partir de então, o capitalismo foi se consolidando numa perspectiva mais financeira e abriu espaço para o surgimento das grandes potências bancárias.
III. A luta de classes tornou-se uma realidade a partir do momento em que a sociedade ficou dividida em duas classes antagônicas: burguesia e proletariado. As diferenças entre aqueles que eram donos dos meios de produção – e do capital – e aqueles que possuíam a força de trabalho – mão-de-obra – levou estes últimos a organizarem-se em sindicatos, partidos, associações para lutar contra a exploração a que eram submetidos.
IV. O anarquismo como doutrina política foi primordial para a constituição da classe burguesa, no século XIX, porque defendia a importância do capital na consolidação desta nova ordem social. Defendia, também que todos os indivíduos tinham o direito de lutar para garantir melhores salários e qualidade de vida.
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas corretas.
a) IeII. b) IeIII. c) IIIeIV. d) I,IIeIV. e) II, III e IV.
40) O movimento de 31 de março de 1964 tinha sido lançado aparentemente para livrar o país da corrupção e do comunismo e para restaurar a democracia, mas o novo regime começou a mudar as instituições do país através de decretos, chamados de Atos Institucionais (AI). Eles eram justificados como decorrência “do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as revoluções”. (FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. p. 465.)
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
a) O AI-5 foi o instrumento que mais contribuiu para que o regime militar seguisse o curso de uma ditadura. A partir da sua instituição, vários atos de repressão passaram a fazer parte dos métodos utilizados pelo governo. b) O Ato Institucional nº 1, instituído pelos comandantes do Exército, atingiu principalmente o patrimônio da Igreja Católica e promoveu o início da secularização da sociedade brasileira. c) Logo após o golpe militar de 1964, as eleições para Presidente da República foram estabelecidas de forma democrática através de eleições diretas. d) A principal orientação dos governos militares foi a aproximação com os Estados Unidos, afastando-se da tendência nacionalista que vinha sendo empreendida antes do golpe de 1964. e) Os grupos de luta armada, de orientação socialista, nas conversas e encontros que tinham com os representantes do governo federal reivindicavam o direito à formação de partidos políticos de esquerda.