VESTIBULAR 2008

PROVAS DE LÍNGUA PORTUGUESA, DE LÍNGUA INGLESA E DE REDAÇÃO

CADERNO DE QUESTÕES

INSTRUÇÕES

  1. Preencher com seu nome e número de carteira os espaços indicados nesta capa e na página 8 deste caderno.
  2. Assinar a Folha Denitiva de Respostas e a capa do seu caderno de respostas, com caneta de tinta azul ou preta, nos espaços indicados.
  3. Esta prova contém 16 questões objetivas, com apenas uma alternativa correta em cada questão, 12 questões discursivas e uma proposta de redação.
  4. Anotar na tabela ao lado as respostas das questões objetivas.
  5. Depois de assinaladas todas as respostas das questões objetivas, transcrevê-las para a Folha Denitiva de Respostas.
  6. O desenvolvimento e as respostas das questões discursivas e a redação devem ser feitos nos espaços indicados no caderno de respostas.
  7. A duração total da prova é de 4 horas. O candidato somente poderá entregar a prova e sair do prédio depois de transcorridas 2 horas, contadas a partir do início da prova.
  8. Ao sair, o candidato levará apenas a tira da capa deste caderno. O restante do caderno será entregue ao candidato ao nal das provas de Química, Matemática e História.
  9. Transcorridas 4 horas de prova, o scal recolherá este caderno, a Folha De nitiva de Respostas e o caderno de respostas.

1.ª PARTE: QUESTÕES OBJETIVAS

LÍNGUA PORTUGUESA

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 01 a 05.

Sob a ótica do senso comum, conhecimento tem a ver com familiaridade. O conhecido, diz a linguagem comum, é o familiar. Se você está acostumado com alguma coisa, se você lida e se relaciona habitualmente com ela, então você pode dizer que a conhece. O desconhecido, por oposição, é o estranho. O grau de conhecimento, nessa perspectiva, é função do grau de familiaridade: quanto mais familiar, mais conhecido. Daí a fórmula: “eu sei = estou familiarizado com isso como algo certo”. Mas se o objeto revela alguma anormalidade, se ele ganha um aspecto distinto ou se comporta de modo diferente daquele a que estou habituado, perco a segurança que tinha e percebo que não o conhecia tão bem quanto imaginava. Urge domá-lo, reapaziguar a imaginação. Ao reajustar minha expectativa e ao familiarizar-me com o novo aspecto ou o novo comportamento, recupero a sensação de conhecê-lo.

Sob a ótica da abordagem científica, contudo, a familiaridade é não só falha como critério de conhecimento como ela é inimiga do esforço de conhecer. A sensação subjetiva de conhecimento associada à familiaridade é ilusória e inibidora da curiosidade interrogante de onde brota o saber. O familiar não tem o dom de se tornar conhecido só porque estamos habituados a ele. Aquilo a que estamos acostumados, ao contrário, revela-se com freqüência

o mais difícil de conhecer verdadeiramente. (Eduardo Giannetti, Auto-engano, p. 72.)

01. Segundo o autor do texto,

(A)
quanto mais familiar o que estudamos, mais fácil é conhecê-lo.
(B)
a imaginação é importante para entender o que conhecemos.
(C)
aquilo que é habitual leva ao verdadeiro conhecimento.
(D)
em ciência, deve-se desconfiar daquilo que é familiar.
(E)
não há reciprocidade entre conhecimento e a sensação de paz.

02. Segundo Giannetti, o senso comum

(A)
deve ser levado em conta em situações familiares.
(B)
é o inverso daquilo que é familiar e não-científico.
(C)
define que algo é certo, em termos de ciência.
(D)
é prejudicial à ótica da abordagem científica.

(E) tem a função de domar e inverter a realidade. 2

03. Assinale a alternativa em que há palavras que apresentam o mesmo processo de derivação das palavras destacadas no trecho a seguir: . . . conhecimento tem a ver com familiaridade.

(A)
É fatal ficarmos tristes diante daquilo que é efêmero.
(B)
Uma bela face humana vai um dia ficar velha e menos bela.
(C)
Mas a transitoriedade lhe empresta renovado encantamento.
(D)
Uma flor que dura apenas uma noite não parece menos bela.
(E)
Uma bela obra de arte não tem limitação de tempo ou espaço.

04. Assinale a alternativa em que há uso do sentido não-literal das palavras.

(A)
Ao reajustar minha expectativa. . .
(B)
A sensação subjetiva de conhecimento. . .
(C)
Aquilo a que estamos acostumados. . .
(D)
O grau de conhecimento, nessa perspectiva. . .
(E)
Urge domá-lo, reapaziguar a imaginação.

05. Assinale a alternativa que mantém o sentido e a construção sintática do trecho: se ele ganha um aspecto distinto, perco a segurança que tinha.

(A)
Embora ele ganhe um aspecto distinto, perco a segurança que tinha.
(B)
Mas ele ganha um aspecto distinto, aí perco a segurança que tinha.
(C)
Ele ganha, contudo, um aspecto distinto, e perco a segurança que tinha.
(D)
À medida que ele ganha um aspecto distinto, perco a segurança que tinha.
(E)
Uma vez que ele ganhe um aspecto distinto, perco a segurança que tinha.

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 06 a 10.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? quem as comprava? em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? e que mãos as tinham criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz. [. . .]

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

(Cecília Meireles, A arte de ser feliz. Em Escolha seu sonho, p. 24.)

3

06. A alternativa que sintetiza mais adequadamente o conteúdo do texto de Cecília Meireles é:

(A)
Quase sempre, água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
(B)
Os olhos somente vêem aquilo para que nossa mente está preparada.
(C)
Ceda à tentação; pode ser que ela não se apresente novamente.
(D)
Aquilo que os nossos olhos não vêem o nosso coração não sente.
(E)
Quem é inteligente não se aborrece em nenhuma circunstância.

07. Assinale a alternativa em que o emprego do verbo dar se aproxima mais da maneira como é empregado no trecho:

Houve um tempo em que minha janela dava para um canal.

(A)
Às vezes, minha imaginação dava com ela a sorrir ao meu lado.
(B)
Faz um ano que seu amigo não dá sinal de vida.
(C)
Deu na televisão que vai chover amanhã à tarde.
(D)
No final da corrida, Felipe Massa deu tudo o que pôde.
(E)
É preciso dar andamento àquele seu projeto.

08. Assinale a alternativa em que o trecho — Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz. — está parafraseado por meio de uma subordinação.

(A)
Eu não era mais criança, mas minha alma ficava completamente feliz.
(B)
Eu não era mais criança, todavia minha alma ficava completamente feliz.
(C)
Embora eu não fosse mais criança, minha alma ficava completamente feliz.
(D)
Eu não era mais criança; minha alma ficava, entretanto, completamente feliz.
(E)
Eu não era mais criança; minha alma, contudo, ficava completamente feliz.

09. Na expressão um grande ovo de louça azul, o adjetivo azul tanto pode estar modificando louça quanto ovo de louça. Nesse caso, não há prejuízo para o entendimento do texto. Nem sempre, contudo, isso acontece. Assinale a alternativa em que o sentido se modifica conforme o adjetivo afete palavras diferentes.

(A)
Procuram-se vendedores de motos recondicionadas.
(B)
Vendem-se meias para crianças brancas.
(C)
Apoiamos as medidas da comissão nova.
(D)
Vivemos uma época de mudanças bruscas.
(E)
Fundou-se uma ONG de intenções nobres.

UFSC/1º Cad/LP/LI/Red

10. Assinale a alternativa em que as palavras estão acentuadas graficamente pelas mesmas regras por que estão acentuadas, respectivamente, em: chalé, céu, existência.

(A)
atrás, jóia, próprio.
(B)
três, pólo, evidência.
(C)
Jaú, caráter, máscara.
(D)
pré-requisitos, ruína, vários.
(E)
fé, mídia, competência.
LÍNGUA INGLESA

O texto seguinte foi publicado na seção Health for Life da revista Newsweek. Leia-o e responda as questões de números 11 a 16.

Stronger, Faster, Smater

Exercise does more than build muscles and help prevent heart disease. New science shows that it also boosts brainpower – and may offer hope in the battle against Alzheimer´s.

BY MARY CARMICHAEL

The stereotype of the “dumb jock” has never sounded right to Charles Hillman. A jock himself, he plays hockey four times a week, but when he isn’t body-checking his opponents on the ice, he’s giving his mind a comparable workout in his neuroscience and kinesiology lab at the University of Illinois. Nearly every semester in his classroom, he says, students on the women’s cross-country team set the curve on his exams. So recently he started wondering if there was a vital and overlooked link between brawn and brains

if long hours at the gym could somehow build up not just muscles, but minds. With colleagues, he rounded up 259 Illinois third and fifth graders, measured their body mass index and put them through classic PE routines: the “sit-and-reach”, a brisk run and timed pushups and sit-ups. Then he checked their physical abilities against their math and reading scores on a statewide standardized test. Sure enough, on the whole, the kids with the fittest bodies were the ones with the fittest brains, even when factors such as socioeconomic status were taken into account. Sports, Hillman concluded, might indeed be boosting the students’ intellect – and also, as long as he didn’t “take the puck to the head”, his own (…)

(Newsweek, April 9, 2007.)

11. Charles Hillman é:

(A)
professor e pesquisador da Universidade de Illinois.
(B)
médico neurocirurgião na Universidade de Illinois.
(C)
estudante da Universidade de Illinois.
(D)
atleta da Universidade de Illinois.
(E)
técnico do laboratório de neurociência da Universidade de Illinois.

12. Charles Hillman tinha um questionamento sobre uma possível relação entre:

(A)
as mulheres atletas e o time de corrida.
(B)
a prática de exercícios físicos e a otimização do desempenho do cérebro.
(C)
o uso do cérebro e o desenvolvimento do câncer de mama.
(D)
a prática de exercícios físicos e o desenvolvimento de músculos nas mulheres.
(E)
as habilidades físicas e o aumento do cérebro.

13. A pesquisa apresentada no texto foi desenvolvida por

(A)
Hillman e 259 cidadãos de Illinois.
(B)
colegas de Hillman e 259 cidadãos de Illinois.
(C)
Hillman e outros colegas.
(D)
participantes do time de hockey de Illinois e mulheres do time de corrida.
(E)
colegas de Hillman e participantes do time de hockey de Illinois.

14. Os referentes their e the ones destacados no texto se referem respectivamente a:

(A)
mulheres e crianças.
(B)
habilidades físicas e crianças.
(C)
testes padronizados e mulheres.
(D)
alunos de 3as. e 5as. séries e crianças.
(E)
corpos e cérebros.

15. A idéia expressa pelo marcador textual even when, em itálico no texto, é a de que:

(A)
embora não se considerem os fatores socioeconômicos, os resultados são confiáveis.
(B)
mesmo quando considerados os fatores socioeconônicos, os resultados são confiáveis.
(C)
se considerássemos os fatores socioeconômicos, os resultados seriam confiáveis.
(D)
porque consideramos os fatores socioeconônicos, os resultados são confiáveis.
(E)
somente considerando os fatores socioeconônicos, os resultados são confiáveis.

16. Os resultados da pesquisa indicam que

(A)
não há uma relação significativa entre a prática de atividade física e o desempenho do cérebro.
(B)
fazer parte do time de hockey é fundamental para alunos de 3as. e 5as. séries.
(C)
as mulheres têm melhor desempenho nas provas de neurociência do que os homens.
(D)
estudantes com índice de massa corporal alto não devem ser submetidos a exercícios físicos.
(E)
há uma forte relação entre a prática de atividade física e

o desempenho do cérebro.

2.ª PARTE: QUESTÕES DISCURSIVAS LÍNGUA PORTUGUESA

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão de número 17.

Tinham eles (os holandeses) saído na ilha de Itaparica, fronteira à Bahia, e aqui, levados de furor herético, deram muitos golpes numa cruz que à porta de uma ermida estava arvorada. Tornando poucos dias depois, os nossos, como era costume, os esperaram, e, encontrando com eles ao saltar em terra, a cruz, que antes estendia os braços de leste a oeste, se foi torcendo do meio para cima, ficando o pé imóvel, até que os braços se puseram de norte a sul, abertos para os que pelejavam.

(Padre Vieira, Cartas do Brasil, p. 91.)

17. O trecho apresentado faz parte de uma carta que o Padre Vieira escreveu para seu superior em Lisboa, quando estava no Brasil, durante a primeira invasão holandesa ocorrida na Bahia em 1624.

a) Como Vieira caracteriza os holandeses?

b) Qual a visão de mundo de Vieira, naquele contexto histórico, em relação à providência divina na luta entre o invasor e as pessoas da terra? Responda utilizando algum exemplo do texto.

18. Vieira escreveu também um famoso sermão, em 1640, exortando os portugueses a lutar contra os holandeses, diante da iminente chegada à Bahia de uma esquadra invasora. Aqui vai um pequeno trecho desse sermão: Não hei de pedir pedindo, senão protestando e argumentando; pois esta é a licença e liberdade que tem quem não pede favor, senão justiça. Se a causa fora só nossa, e eu viera a rogar só por nosso remédio, pedira favor e misericórdia. Mas como a causa, Senhor, é mais vossa que nossa, e como venho a requerer por parte de vossa honra e glória, e pelo crédito de vosso nome – Propter nomem tuum – razão é que peça só razão, justo é que peça só justiça. (Fun dação Biblioteca Nacional.)

a) Como ficou conhecido esse sermão?

b) A quem se dirige Vieira nesse trecho do sermão? Justifique com algum exemplo do texto apresentado.

INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de números 19 a 21.

Eu tinha o medo imediato. E tanta claridade do dia. O arrojo do rio e só aquele estrape*, e o risco extenso d’água, de parte a parte. Alto rio, fechei os olhos. Mas eu tinha até ali agarrado uma esperança. Tinha ouvido dizer que, quando canoa vira, fica boiando, e é bastante a gente se apoiar nela, encostar um dedo que seja, para se ter tenência, a constância de não afundar, e aí ir seguindo, até sobre se sair no seco. Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse: — “Esta é das que afundam inteiras. É canoa de peroba. Canoa de peroba e de pau-d’óleo não sobrenadam...” Me deu uma tontura. O ódio que eu quis: ah, tantas canoas no porto, boas canoas boiantes, de faveira ou tamboril, de imburana, vinhático ou cedro, e a gente tinha escolhido aquela... Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!

(Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, p. 88-89.)

* instrumento de tortura

19. Diz Alfredo Bosi a respeito de Guimarães Rosa: Grande Sertão: Veredas e as novelas de Corpo de Baile incluem e revitalizam recursos da expressão poética: células rítmicas, aliterações, onomatopéias, rimas internas, ousadias mórficas, elipses, cortes e deslocamentos de sintaxe, vocabulário insólito, arcaico ou de todo neológico, associações raras, metáforas, anáforas, metonímias, fusão de estilos, coralidade.

(Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, p. 430.)

a) De qual dos recursos enumerados Guimarães Rosa faz uso no trecho Eu disse isso. E o canoeiro me contradisse? Explique.

b) Com qual desses recursos pode ser associada a frase Até fosse crime, fabricar dessas, de madeira burra!?

20. Levando-se em conta as associações raras, mencionadas por Bosi,

a) explique o significado da expressão alto rio, logo no início do texto.

b) Qual a base analógica para a criação dessa expressão?

21. Levando-se em conta a norma padrão do português do Brasil,

a) como você caracteriza a variação lingüística que aparece em Me deu uma tontura?

b) Como você redigiria essa frase de acordo com a norma padrão?

INSTRUÇÃO: Leia os dois textos a seguir para responder às questões de números 22 a 24.

Texto 1

O material do poeta é a vida, e só a vida, com tudo o que ela tem de sórdido e sublime. Seu instrumento é a palavra. Sua função é a de ser expressão verbal rítmica ao mundo informe de sensações, sentimentos e pressentimentos dos outros com relação a tudo o que existe ou é passível de existência no mundo mágico da imaginação. Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela, simples e comunicativa possível, do contrário ele não será nunca um bom poeta, mas um mero lucubrador* de versos.

(Vinícius de Moraes, Para Viver um Grande Amor, p. 101-102.)

* aquele que compõe com esforço à custa de muita meditação.

5 UFSC/1º Cad/LP/LI/Red

Texto 2

Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais

[não contam.

Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não recomponhas tua sepultada e merencória infância. Não osciles entre o espelho e a memória em dissipação. Que se dissipou, não era poesia. Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície intata.

Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?

(Carlos Drummond de Andrade, Procura da poesia.)

22. Comparando o texto em prosa de Vinícius ao trecho do poema de Drummond:

a) Ambos apresentam o mesmo conceito de poesia? Por quê?

b) Justifique sua resposta, transcrevendo um trecho de cada um dos textos.

23. Leia novamente o poema de Drummond e responda:

a) Que modo verbal caracteriza e domina a construção desse poema? Por quê?

b) Qual é o significado da pergunta Trouxeste a chave?, no último verso do trecho apresentado?

24. Voltando ao texto em prosa de Vinícius de Moraes e pondo foco no trecho Seu único dever é fazê-lo da maneira mais bela,

a) a que se refere no texto o pronome seu? b) A que se refere no texto o pronome lo?

LÍNGUA INGLESA

Leia o texto seguinte e responda às perguntas de números 25 a 28, em português.

Hyper kids? Check their diet

Parents have long observed that some kids go bonkers after eating foods with a lot of artificial ingredients or neon-bright colors. Medical researchers – not to mention the food industry – have been skeptical; there was no proof of this effect, at least nothing like a double-blind, controlled study.

As so often happens, however, the parents turned out to be a step ahead of the pros. A carefully designed study published in the British journal the Lancet shows that a variety of common food dyes and the preservative sodium benzoate – an ingredient in many soft drinks, fruit juices and salad dressings – do cause some kids to become measurably more hyperactive and distractible. The findings prompted Britain’s Food Standards Agency to issue an immediate advisory to parents to limit their children’s intake of additives if they notice an effect on behavior. In the U.S., there hasn’t been a similar response, but doctors say it makes sense for parents to be on the alert.

The study, led by Jim Stevenson, a professor of psychology at England’s University of Southampton, involved about 300 children in two age groups: 3-year-olds and 8- and 9-year-olds. Over three one-week periods, the children were randomly assigned to consume one of three fruit drinks daily: one contained the amount of dye and sodium benzoate typically found in a British child’s diet, a second had a lower concentration of additives, and a third was additive-free. The children spent a week drinking each of the three mixtures, which looked and tasted alike. During each seven-day period, teachers, parents and graduate students (who did not know which drink the kids were getting) used standardized behavior-evaluation tools to size up such qualities as restlessness, lack of concentration, fidgeting and talking or interrupting too much.

Stevenson found that children in both age groups were significantly more hyperactive when drinking the beverage with higher levels of additives. Three-year-olds had a bigger response than the older kids did to the drink with the lower dose of additives, which had about the same amount of food coloring as in two 2oz. (57 g) bags of candy. But even within each age group, some children responded strongly and others not at all.

Stevenson’s team is looking at how genetic differences may explain the range of sensitivity. One of his colleagues believes that the additives may trigger a release of histamines in sensitive kids. In general, the effects of the chemicals are not so great as to cause full-blown attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD). Still, the paper warns that “these adverse effects could affect the child’s ability to benefit from the experience of school.”

(Time, September 13, 2007.)

25. a) b) Qual o assunto do texto?Quais os resultados do estudo publicado pela revista britânica The Lancet?
26. a) b) O que fez a agência britânica que controla os alimentos a partir dos resultados? Qual a conseqüência que os resultados tiveram nos Estados Unidos?
27. a) b) Qual a composição do grupo pesquisado por Jim Stevenson?Como foi o procedimento do estudo?
28. a) b) De acordo com o 3.º parágrafo, o que os resultados revelam? O que o grupo de Stevenson está investigando a partir dos resultados?
REDAÇÃO

INSTRUÇÃO: Leia os textos a seguir.

Texto 1

Lili remodelou os olhos. Shuang tem uma testa nova. Qian estreitou o nariz. Na China, as cirurgias plásticas viraram uma febre entre mulheres que buscam melhores empregos e maridos ricos. Agora, elas até comemoram suas novas aparências no primeiro concurso de “Miss Cirurgia Plástica” do país. Marie Claire foi ver a coroação de perto.

Wang Yuan, 18 anos, sorri radiante no palco. Sua mãe está na platéia e não disfarça o orgulho que sente pela filha. Não é para menos. A mãe de Yuan é cirurgiã plástica e, 11 meses atrás, usou seu bisturi para refazer o rosto da filha. Foram quatro operações para remodelar os olhos, o nariz, as maçãs do rosto e o queixo. “Implorei à minha mãe para fazer isso em mim. Não entendia por que eu tinha de ser uma mulher comum, se podia ser linda”, diz Yuan.

“Entrei no concurso para provar que a cirurgia não modifica quem você é, só corrige as imperfeições”, afirma. As “imperfeições” incluem as feições clássicas chinesas, como nariz pequeno, rosto largo e olhos estreitos. Como a maioria das jovens, Yuan admira a aparência das mulheres do Ocidente.

(Marie Claire, nov. 2005.)

7 UFSC/1º Cad/LP/LI/Red

Texto 2

A onda atingiu a televisão japonesa, onde há dois anos o programa Beauty Colosseum é sucesso de audiência. Num cenário kitsch, com cores gritantes e colunas gregas de papelão, mulheres desesperadas contam suas histórias ao casal de apresentadores. São chamados um estilista, um cabeleireiro, uma maquiadora e um cirurgião plástico. Um mês depois, elas voltam ao programa para mostrar como uma boa cirurgia estética torna qualquer um feliz. O cirurgião que participa do programa se tornou uma estrela e dirige uma rede de 14 clínicas. “Antigamente, intervenções estéticas eram o tipo de coisa que só artistas ou prostitutas de luxo faziam. Hoje, a plástica é mais popular e menos dramática”, diz.

Na China, para crescer até 10 centímetros, a população se submete a uma cirurgia dolorosa e arriscada. A perna é quebrada em várias partes e estendida com o auxílio de pinos no processo de calcificação. Popular também é a cirurgia na língua, que facilita a pronúncia do inglês.

(Época, 21.05.2007.)

Texto 3

Branquear-se é a obsessão de milhões de africanas que, diariamente, untam a pele com produtos abrasivos para tornar-se um pouco menos negras, para ascender na hierarquia social e alcançar seu objetivo final: tornar-se mais desejáveis, agradar mais e aumentar sua própria auto-estima.

Nessa corrida em direção ao triunfo social, elas perdem melanina e contraem doenças de pele que vão desde queimaduras,estrias e acne até alergias e mesmo câncer de pele. É um fenômenopresente em parte da África, sendo descrito por alguns estudiosos como o “trauma pós-colonial”.

A prática não é nova — começou no final dos anos 60 —, mas os números não param de crescer, e, nos últimos anos, alcançaram níveis preocupantes, segundo a Associação Internacional de Informação sobre a Despigmentação Artificial (Aiida), presente no Senegal, na França e em Mali.

Hoje, diz a entidade, 67% das mulheres senegalesas despigmentam sua pele. Em Togo, 58% o fazem, e, em Mali, 25%.

(Folha de S.Paulo, 03.04.2004.)

Texto 4

O sociólogo Shinji Kamikawa, 48, crítico de TV no Japão, diz que “o oriente parece perdido em muitos aspectos”. “A influência não é só de quem vai ao exterior e volta, mas está em todos os lugares, principalmente na televisão. Parece que estamos desenvolvendo um complexo de inferioridade, de que aquilo que é falado em inglês é melhor, os costumes estrangeiros são melhores”.

Ele reclama do fato de os desenhos animados japoneses não apresentarem personagens com olhos puxados. “Só pode prejudicar o processo de identificação de nossas crianças, que começam a invejar os traços ocidentais.”

(Folha de S.Paulo, 26.05.2002.)

INSTRUÇÃO: Escreva um texto dissertativo sobre o tema:

GLOBALIZAÇÃO: A INFLUÊNCIA DO OCIDENTE NO PADRÃO DE BELEZA MUNDIALCAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS.