Processo Seletivo/UFU - julho 2007 -1ª Prova Comum
TIPO 1
QUESTÃO 21
A imagem abaixo foi concebida em 1434 pelo artista flamengo Jan Van Eyck (1390-1441). A cena foi encomendada pelo mercador italiano Giovanni Arnolfini – retratado na tela ao lado de sua noiva, Jeanne de Chenany – e testemunhava a união conjugal desse casal.
Jan Van Eyck. O Casal Arnolfini (1434). Óleo sobre madeira, 82 X 60 cm. Galeria Nacional, Londres. Disponível em: http://gallery.euroweb.hu/art/e/eyck_van/jan/15arnolf/15arnol.jpg
Considerando o contexto social, econômico e artístico em que esse quadro foi pintado, assinale a alternativa INCORRETA.
A) O quadro é indicativo de transformações históricas pelas quais passavam a Europa desde a crise do feudalismo. Ele testemunha a emergência de novas classes sociais e de novos sentidos para a arte no contexto da chamada Revolução Comercial, retratando uma cena cotidiana de pessoas comuns (no caso, burgueses).
B) No século XV, a presença de mercadores italianos no norte da Europa era comum. Flandres e a Península Itálica estavam conectadas entre si desde, pelo menos, o século XIII, fazendo parte de uma grande rede de comunicação comercial, marítima e terrestre constituída na Europa.
C) O quadro demonstra que a nascente burguesia européia, do século XV em diante, passou a gozar de status social correspondente ao da nobreza. Isso porque, ao longo dos séculos XV, XVI e XVII, figurar em obras de arte era privilégio exclusivo dos grupos sociais de maior poder e prestígio.
D) A pintura flamenga do século XV dialogou com o Renascimento Italiano. A técnica da pintura a óleo, por exemplo, foi introduzida em Flandres e também na Itália naquela época. Essa técnica permitiu que pintores flamengos, florentinos e venezianos dessem mais realismo e vivacidade às suas obras.
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QUESTÃO 22
TIPO 1
Relacione o poema abaixo ao contexto histórico europeu dos séculos XVII e XVIII e assinale a alternativa correta.
O SILÊNCIO DE PASCAL
“O silêncio desses espaços infinitos me apavora” Os pensamentos estraçalhados de Pascal São a crise de uma consciência excepcional No limiar de uma nova era O místico Pascal Contempla o céu estrelado Numa vã espera de vozes O céu calou-se Estamos sós no infinito Deus nos abandonou “Daquela estrela à outra A noite se encarcera Em turbinosa vazia desmesura Daquela solidão de estrela” (Leopardi via Haroldo de Campos) Nenhum UFO No close contact of the third kind [nenhum contato imediato de terceiro grau] A solidão “cósmica” de Pascal É o pendant do vazio De sua classe social Cuja hegemonia está para terminar Os germes da revolução francesa Que vai derrubar a nobreza E colocar a burguesia no poder Já estão no ar Pascal ouve nos céus O tremendo silêncio.
Paulo Leminski. O silêncio de Pascal. Apud: ARANHA, M. L. A. & MARTINS,
M. H. P. Filosofando. São Paulo: Editora Moderna, 1986. p. 140.
A) O poema refere-se a uma “crise de consciência” expressa no pensamento de Pascal. Essa crise pode ser referenciada
como desdobramento histórico das Reformas Religiosas, do nascimento das relações capitalistas, da formação de
Estados Modernos na Europa e das Revoluções Científicas.
B) No texto, “a solidão de Pascal” é a solidão de sua “classe social”. O poema sugere, metaforicamente, com isso, que
a burguesia - classe à qual Pascal pertencia - se sentia sem apoio político no Regime Absolutista. A Revolução
Francesa viria, posteriormente, pôr fim a essa “solidão”.
C) O silêncio apavorante que Pascal ouve dos céus alude a seu irracionalismo romântico. Nesse sentido, a “crise de
consciência” à qual se refere o texto deve ser lida como reação às transformações sociais, políticas e intelectuais
que ocorriam na chamada “Época do Terror” da Revolução Francesa.
D) A solidão política da burguesia no Estado Absolutista é comparada, no texto, com a solidão do homem ao pensar que não há vida inteligente fora da Terra. Assim, o autor faz uma ironia às “classes dominantes” do Antigo Regime
-clero e nobreza - que não são tratadas como “vida inteligente”.
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TIPO 1
QUESTÃO 23
Considere as informações a seguir.
Uma das figuras mais proeminentes da História Política de Portugal no século XVIII foi Sebastião José de Carvalho
e Melo, mais conhecido como marquês de Pombal, ministro de Dom José I. Sobre as políticas pombalinas, o historiador
Boris Fausto diz o seguinte:
“Sua obra, realizada ao longo de muitos anos (1750-1777), representou um grande esforço para tornar mais eficaz a administração portuguesa e introduzir modificações no relacionamento metrópole-colônia.”
FAUST O, B. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp / Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 59.
Em relação às políticas pombalinas que diziam respeito direta ou indiretamente ao Brasil, assinale a correta.
A) Pombal introduziu princípios do liberalismo no comércio do Brasil com vistas a recuperar a economia da colônia: extinguiu as companhias privilegiadas de comércio que existiam no Maranhão e em Pernambuco, flexibilizou o “pacto colonial” e permitiu a presença de companhias comerciais inglesas na região das Minas.
B) Um dos traços marcantes das políticas pombalinas no Brasil foi o confronto com a elite colonial. Os “brasileiros” foram impedidos de ocupar cargos políticos, jurídicos e administrativos na Colônia. Isso gerou muitas revoltas, como a de Felipe dos Santos, em Vila Rica, e a Guerra dos Mascates, em Pernambuco.
C) Dentre as principais características da política pombalina, pode-se destacar a forte adoção de princípios mercantilistas na economia e de ideais iluministas na educação. Os esforços de Pombal visavam tornar o colonialismo português mais preparado para enfrentar a “crise do Antigo Regime”, como hoje a chamamos.
D) A política absolutista de Pombal baseava-se na origem divina do poder dos reis e de seus ministros. Por isso, ele buscou o total apoio da Igreja, favorecendo as ordens missionárias que atuavam no Brasil, como mercedários e jesuítas, às quais delegou responsabilidades sobre a tutela dos índios e sobre o ensino na colônia.
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TIPO 1
A chamada “Era Napoleônica” (1799-1814) foi uma época marcada por grandes conflitos bélicos na Europa. Sobre esse momento e suas repercussões na história do continente americano, assinale a alternativa INCORRETA.
A) A necessidade financeira decorrente dos custos militares levou Napoleão Bonaparte a vender territórios coloniais franceses na América do Norte. Nesse contexto, o vasto território da Louisiana foi incorporado aos EUA.
B) O envolvimento da França em conflitos bélicos contra quase toda Europa favoreceu a perda de colônias francesas na América. A independência do Haiti e a ocupação da Guiana Francesa pelos portugueses são exemplos disso.
C) Durante o apogeu do Império Napoleônico, a Espanha tornou-se politicamente dependente da França. Essa situação favoreceu anseios autonomistas na América espanhola e levou a Inglaterra a apoiar movimentos de independência.
D) Com o “bloqueio continental”, a Inglaterra teve seus interesses comerciais na América seriamente prejudicados. Nesse contexto, os britânicos invadiram a Argentina em 1806 e a controlaram até 1815, quando o Congresso de Viena decretou sua independência.
Uti possidetis é um princípio de direito internacional bastante utilizado desde o século XVIII nas definições dos limites entre territórios vizinhos. Esse princípio reconhece o direito de posse a quem de fato ocupa determinado território.
Considerando o uso desse princípio e a formação territorial do Brasil, assinale a alternativa INCORRETA.
A) Espanha e Portugal tiveram poucos conflitos sobre territórios conquistados na América, durante o período colonial, pois suas posses foram definidas por tratados e bulas desde antes da ocupação das terras.
B) A expansão territorial da América Portuguesa no século XVII, motivada por fatores econômicos, religiosos e políticos, gerou conflitos com nações européias. O uti possidetis foi utilizado, por exemplo, para legitimar essas novas posses.
C) Os domínios portugueses na América foram ampliados durante a União Ibérica, o que permitiu fixar-se no rio da Prata o limite sul do Brasil, até a separação da Província Cisplatina no século XIX.
D) A fixação das fronteiras nacionais do Brasil teve início no século XIX e, nos primeiros anos do século XX, vários problemas de limites foram solucionados pela diplomacia brasileira, apoiando-se no princípio do uti possidetis.
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TIPO 1
“Iria morrer, quem sabe se naquela noite mesmo? E que tinha ele feito de sua vida? Nada. Levara toda ela atrás da miragem de estudar a pátria, por amá-la e querê-la muito, no intuito de contribuir para a sua felicidade e prosperidade. Gastara a sua mocidade nisso, a sua virilidade também; e, agora que estava na velhice, como ela o recompensava, como ela o premiava, como ela o condecorava? Matando-o. [...] Lembrou-se das suas coisas de tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! [...] E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara? Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções. A pátria que quisera ter era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete. [...] E, bem pensado, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria?”
BARRETO, Lima. Triste Fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Ática, 1985 , parte V.
O trecho acima, retirado de uma obra literária escrita originalmente no início do século XX no Rio de Janeiro, registra indícios de uma séria crítica à situação do país. Nesse trecho, o major Policarpo Quaresma, personagem principal da obra, faz um balanço de suas expectativas e decepções em relação ao Brasil no período. Sobre esse assunto, assinale a afirmativa correta.
A) Os desapontamentos com a República brasileira foram maiores durante a Revolta da Armada e os conturbados governos militares, mas tiveram pouca relação com a literatura do período.
B) O patriótico major de Lima Barreto estudava inutilidades para propor soluções à nação, enquanto os governantes aplicavam projetos das nações vizinhas.
C) Literatos como Lima Barreto e Olavo Bilac foram politicamente importantes na chamada 1ª República, pois a crítica deles à sociedade substituía o patriotismo pelo nacionalismo.
D) O encadeamento de decepções, lamentado por Quaresma, permite analogias entre a vida do personagem e a trajetória política da então jovem República brasileira, que sofria muitas críticas.
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Considere o texto abaixo e as afirmativas seguintes.
O lançamento do automóvel Ford modelo T, em 1908, nos Estados Unidos da América, assinala o futuro da produção industrial como fruto da estandartização e do consumo de massa. Henry Ford, seu idealizador, pretendia criar um automóvel barato e, por isso, apoiou-se nos princípios do taylorismo que visava otimizar a cadência e os gestos do trabalho, unidos aos princípios da padronização de peças intercambiáveis. O modelo T foi um sucesso: em 1910 vinte mil automóveis foram fabricados ao preço unitário de U$ 850,00 e, em 1916, seiscentos mil ao preço unitário de U$ 360,00. Até que a produção se encerrasse em 1927, aproximadamente quinze milhões de exemplares saíram da linha de montagem.
I -O sistema de produção do Ford T baseava-se na utilização de máquinas-ferramentas, na diminuição do uso de mão-de-obra qualificada, no fluxo contínuo de produção, na fixação da jornada de trabalho de oito horas, no aumento dos salários.
II -A introdução do Ford T no mercado ajudou a gerar não apenas um novo modelo de produção, mas também, novos padrões de operários capazes de adquirir o produto do próprio trabalho, tornando-se modelos para a sociedade americana.
III -O sucesso do Ford T marca um momento de prosperidade e crescimento para uma sociedade que aceitou as normas impostas pelos interesses da indústria: consumo restrito e seletivo, trabalho cadenciado e em ritmo leve, com deslocamento do operário no interior da fábrica.
IV -O Ford T foi um símbolo da transformação no trabalho industrial. Os trabalhadores facilmente adaptaram-se ao seu novo ritmo e natureza. Esse carro foi, também, símbolo dos produtos industriais baseados em uma produção seletiva e padronizada que visava atender uma única parcela da sociedade.
Dentre as alternativas abaixo:
A) apenas I e II são corretas. B) apenas I e III são corretas. C) apenas II e IV são corretas. D) apenas III e IV são corretas.
“Se não aproveitarmos o momento político e econômico para radicalizar nosso programa, seremos ridiculamente envolvidos pelos bernardes e epitácios, sacrificando a grande força material de que dispúnhamos, fruto do sacrifício de numerosos companheiros. Dia a dia aumenta em mim a convicção de que os tais liberais desejam de tudo menos a revolução [...]. Resta-nos um único caminho: o caminho pelo qual venho há muito me batendo e que consiste em levantarmos a bandeira de reivindicações populares, de caráter prático e positivo, capazes de estimular a vontade das mais amplas massas de nossa paupérrima população das cidades e do sertão.”
Carta de Luís Carlos Prestes escrita em 1929, citada em DULLES, J. F. Anarquistas e Comunistas no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977, p. 270.
Em relação ao trecho acima e seu contexto histórico é INCORRETO afirmar que:
A) apesar da força do momento de mudanças, o líder da Coluna Prestes percebia, entre as elites políticas ligadas às constestações dos anos 1930, certo desinteresse por transformações profundas na sociedade brasileira.
B) a força das alianças partidárias nos anos 1930, lideradas pelos políticos Artur Bernardes e Epitácio Pessoa, permitia ao momento político a radicalização e o aproveitamento das forças reformistas.
C) os projetos reformadores predominantes entre os programas ditos “revolucionários” em 1930 repercutiam negativamente entre aqueles mais radicais, que buscavam desde a década anterior formas de identificação com programas mais abrangentes.
D) Prestes entendia como um desperdício de forças acompanhar os reformadores liberais e deixar de lado a vontade das massas e as necessidades das populações pobres das muitas regiões brasileiras, inclusive daquelas do interior.
TIPO 1
TIPO 1
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O depoimento a seguir, escrito por uma pesquisadora polonesa em 1985, relembra momentos de sua adolescência entre judeus em Varsóvia. Trecho 1:anos finais da década de 1930; trecho 2: meados da década de 1940.
Trecho 1
“Àquela época, era difícil para qualquer um ingressar na escola de medicina da Universidade de Varsóvia – para uma moça ou um rapaz judeu, era quase impossível. Embora as universidades polonesas não tivessem chegado a adotar a exclusão total, havia não obstante uma clara restrição extra-oficial ao número de judeus admitidos como alunos, em especial nos cursos que preparavam profissionais liberais, como o de medicina.”
Trecho 2
“Os guardas obrigam mais e mais pessoas a entrarem, até que fica difícil respirar. Crianças gritam, homens praguejam e blasfemam, uma pessoa fica histérica.
– Vamos botar essas três judias pra fora! – exclama de repente uma mulher. – Estaremos
bem melhor sem elas. Uma forte reprimenda faz com que ela se cale.
– Mais uma palavra – um homem mutilado diz asperamente – e quem vai ser jogada pra fora é você.”
BAUMAN, Janina. Inverno na Manhã. Uma jovem no Gueto de Varsóvia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005, p. 17 e 198.
Considerando a narrativa apresentada e o contexto a que se refere, assinale a alternativa correta.
A) A perseguição nazista aos judeus não causou inicialmente muita estranheza, pois diferentes práticas anti-semitas eram comuns no dia-a-dia em várias partes da Europa.
B) O catolicismo e o anglicanismo eram muito difundidos na Polônia já naquela época. Fato este que justificava o forte preconceito contra outras religiões, até mesmo antes do surgimento do nazismo.
C) O convívio entre praticantes de diferentes religiões é indesejável, sobretudo em regiões com culturas tradicionais ou em espaços muito habitados, devido ao risco de violências.
D) Hostilidades, restrições e perseguições são sempre lembradas por escritores que viveram o holocausto, mas não se repetem atualmente devido à grande tolerância religiosa.
Processo Seletivo/UFU - julho 2007 -1ª Prova Comum
Considere o texto abaixo.
O filme 300, que chegou aos cinemas no início do ano de 2007, provocou nos meios de comunicação discussões e inquietações acerca das diferenças entre Ocidente e Oriente, tendo a “democracia” como um dos principais aspectos diferenciadores entre os dois pólos. Mesmo com a derrota momentânea diante dos persas, os gregos são exaltados no filme e na mídia como aqueles que jamais aceitariam o “domínio de um só homem que estivesse acima da lei” (Super Interessante, n.238, abr. 2007, p.72.). No entanto, a Democracia no mundo ocidental nem sempre esteve na ordem do dia, especialmente com relação as duas décadas que antecederam a II Grande Guerra Mundial.
Sobre esse assunto, pode-se afirmar que:
A) a forma de governo adotada na Itália foi seguida por diversos países, entre eles Portugal, cuja longa tradição republicana mostrava-se abalada em tempos de crise.
B) nas nações ocidentais a exacerbação das desigualdades políticas, econômicas e sociais geradas pelo liberalismo favoreceu a ascensão de regimes antidemocráticos.
C) a democracia adotada pelas nações ocidentais, tal qual o modelo das cidades gregas, privilegiava a participação direta dos cidadãos nas decisões do Estado.
D) o surgimento da república de Weimar e do governo de Franco são exemplos da ascensão de regimes não democráticos na Europa.
TIPO 1