Processo Seletivo/UFU - julho 2007 -1ª Prova Comum
QUESTÃO 41
Leia o trecho a seguir e assinale a alternativa correta, considerando o desdobramento deste trecho na narrativa Triste Fim de Policarpo Quaresma.
“O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. Educada na cidade, ela tinha dos roceiros idéia de que eram felizes, saudáveis e alegres. Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? [...] Por que ao redor dessas casas não havia culturas, uma horta, um pomar? Não seria tão fácil, trabalho de horas? [...] Por quê?”
Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma.
A) Sobre a falta de cultivo da terra e a conseqüente miséria, Felizardo explica a Olga que a terra não é deles e que, além do mais, não recebem incentivo por parte do governo, incentivo esse que é fornecido aos colonos estrangeiros.
B) A personagem Olga, mulher progressista e criada na cidade, constata que a miséria e a tristeza dos pobres trabalhadores rurais é fruto da preguiça deles mesmos, uma vez que eles podiam trabalhar e produzir como seu padrinho Quaresma.
C) Por meio de Olga, Lima Barreto defende a mesma postura política de todos os pré-modernistas, em relação ao trabalhador rural. Preguiça, desânimo e falta de iniciativa própria são os fatores responsáveis pelo estado de miséria e abandono desse trabalhador.
D) Durante o passeio, Olga percebe os “latifúndios inúteis e improdutivos” e volta para casa determinada a reverter essa situação deprimente, ajudando seu padrinho a redigir o projeto de melhorias para a agricultura, que seria endereçado a Floriano Peixoto.
TIPO 1
TIPO 1
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QUESTÃO 42
Leia os trechos a seguir e assinale a alternativa correta.
“Participação na vida, identificação com os ideais do tempo (e esses ideais existem, sempre, mesmo sob as mais sórdidas aparências de decomposição), curiosidade e interesse pelos outros homens, apetite sempre renovado em face das coisas, desconfiança da própria e excessiva riqueza interior, eis aí algumas indicações que permitirão talvez ao poeta deixar de ser um bicho esquisito para voltar a ser, simplesmente homem.”
Carlos Drummond de Andrade. Confissões de Minas.
“Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos. [...] Meu coração não sabe Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas. (Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que os homens se comunicam.)”
Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo.
A) Sentimento do mundo realiza a proposta poética articulada neste trecho de Confissões de Minas de uma poesia comprometida socialmente, uma vez que a voz do eu-lírico reflete um desacerto com a sua época.
B) Sentimento do mundo, obra que traz um comprometimento do poeta com a denúncia de um sistema político repressor, foi escrito durante a década de 70, no auge da ditadura militar, refletindo os erros e as injustiças sociais desse momento histórico.
C) O trecho do poema acima pode ser considerado romântico, uma vez que o eu-lírico volta-se exclusivamente para os problemas de seu coração e faz da poesia o meio confessional de seus sentimentos íntimos, isolando-se de todos.
D) Confissões de Minas apresenta a proposta de uma poesia reclusa em si mesma, longe dos homens e da sociedade,
o que pode ser comprovado em trechos como “apetite sempre renovado em face das coisas” e “desconfiança da própria e excessiva riqueza anterior”.
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TIPO 1
“NASSAU. Mas diga que a cada dia nasce uma nova obra de arte, decifra-se o mistério de uma ciência, descobre-se algo...
MÉDICO (Entrando, às pressas). Alteza! Alteza!
NASSAU. O que foi que descobriste hoje, doutor?
MÉDICO. A cura da gonorréia.
CONSULTOR. Ah, isso é magnífico.
NASSAU. Gostou, hein? Não lhe disse? (Para o MÉDICO) Qual é a fórmula?
MÉDICO. Simples, meu Príncipe. Mastigando-se freqüentemente a cana e engolindose o suco, sem nenhum outro medicamento, fica-se curado em oito dias.
CONSULTOR toma um maço de cana das mãos do MÉDICO, NASSAU toma outro, põem na boca e começam a mastigar. O MÉDICO oferece ao FREI que, discreta e maliciosamente, recusa.
NASSAU (Mastigando). Notável... Que seria de nós sem a cana-de-açúcar?”
Chico Buarque e Ruy Guerra. Calabar.
Tendo em vista o trecho acima e a obra Calabar, assinale a alternativa correta.
A) Este trecho revela, de maneira irônica e metafórica, o ideal nacionalista de seus autores, mostrando um país que conseguia manter um desenvolvimento científico espetacular, mesmo em face das dificuldades políticas da época.
B) A descoberta da cura da gonorréia, mal que os europeus transmitiram aos nativos brasileiros, evidencia os avanços tecnológicos e científicos trazidos pelos holandeses ao Brasil, quando governaram em Pernambuco.
C) O fato de o Frei se recusar a mastigar a cana-de-açúcar demonstra sua descrença na cura científica, comprovando
sua inabalável fé nos desígnios superiores e místicos. Isso prova que ele - o Frei - era um homem moralmente
superior aos demais.
D) Por trás do humor e da ironia, principalmente na última fala de Nassau, esta passagem apresenta o motivo real das desavenças da época: o controle da produção da cana-de-açúcar e o monopólio de sua distribuição na Europa.
Leia as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
A) “A hora e a vez de Augusto Matraga” é um romance que apresenta um diálogo com o gênero lírico principalmente no que se refere à linguagem metaforizada.
B) Sentimento do mundo é uma obra narrativa, apesar de possuir trechos dramáticos que o aproximam da tragédia pela densidade que apresenta em alguns momentos.
C) Calabar pertence ao gênero dramático, aproximando-se, em alguns momentos, da comédia por apresentar em sua estrutura teatral elementos grotescos.
D) Triste fim de Policarpo Quaresma pertence ao gênero dramático, por apresentar a estrutura perfeita de uma comédia, apesar da evidência de elementos líricos e narrativos.
TIPO 1
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QUESTÃO 45 Leia os poemas abaixo e assinale a alternativa INCORRETA.
“Eu faço versos como quem chora De desalento...de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa...remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca.
-Eu faço versos como quem morre.”
Manuel Bandeira. “Desencanto”.
“Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
-Trinta e três...trinta e três...trinta e três...
-Respire. .................................................................................................................................
-O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
Manuel Bandeira. “Pneumotórax”.
A) “Pneumotórax” é composto de versos livres e brancos e apresenta um ritmo modernista que contrasta com a cadência tradicional dos versos rimados e metrificados de “Desencanto”.
B) “Pneumotórax”, publicado em Libertinagem, apresenta em um estilo irônico e humorado a questão da morte, tema que permeia grande parte da poesia modernista de Bandeira.
C) “Desencanto”, publicado em A cinza das horas, poema escrito em um estilo impregnado de ressonâncias parnasianosimbolistas, destoa do estilo modernista de “Pneumotórax”.
D) “Desencanto” é um metapoema marcado pelo humor e ironia que constituem o maior traço estilístico da lírica modernista brasileira.
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Leia o poema seguinte e assinale a alternativa correta.
TIPO 1
| “Filhos A meu filho Marcos Daqui escutei quando eles chegaram rindo e correndo entraram na sala e logo invadiram também o escritório (onde eu trabalhava) num alvoroço e rindo e correndo se foram com sua alegria se foram | Só então me perguntei por que não lhes dera maior atenção se há tantos e tantos anos não os via crianças já que agora estão os três com mais de trinta anos.” Ferreira Gullar. Melhores poemas . |
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A) O poeta Ferreira Gullar é um escritor contemporâneo que participou de vários movimentos de restauração da poesia, o que significa renovar sua estrutura, sua linguagem. Neste poema, a linguagem prosaica, os versos livres e a emoção espontânea são conquistas do concretismo.
B) Ferreira Gullar passa por várias experiências poéticas, encontrando a razão do poema na comoção lírica. Em acordo com os preceitos da essência lírica, o poema apresenta distanciamento e objetividade do sujeito lírico com os fatos descritos.
C) Em entrevista à revista Língua portuguesa (São Paulo: Editora Segmento, 2006, nº 5), o poeta declara que esse poema é fruto de uma circunstância, de um impulso, pois sonhou com a situação descrita nele. Desta forma, ao descrever o sonho, pode-se afirmar que o gênero épico prevalece nesse poema.
D) O olhar do poeta Ferreira Gullar contempla grandes acontecimentos universais, pequenos fatos do cotidiano, cenas da vida doméstica, não raro, imprimindo sobre esses episódios a consciência da efemeridade da vida. Nesse poema, a lembrança de um passado familiar provoca a reflexão dessa consciência.
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TIPO 1
Sobre o conto “Duelo”, de Guimarães Rosa, é correto afirmar que:
A) O autor mescla em sua narrativa a narração de 3ª pessoa, o discurso direto e o indireto. No discurso direto, o autor emprega a linguagem da gente sertaneja, como nesse exemplo: “Não é à toa, porém, que um cavalheiro, excluído das armas por causa de más válvulas e maus orifícios cardíacos, se extenua em raids tão penosos, na trilha da guerra sem perdão”.
B) o autor é portador de um grande poder de fabulação, um contador de casos que prende a atenção do leitor, sobretudo pelo recurso da oralidade de que lança mão em suas narrativas. Em “Duelo”, paralelamente à estória narrada, ele insere o caso do homem que fez pacto com o diabo para vencer o inimigo.
C) o autor, ao nomear lugares e personagens, vale-se de apelidos, corruptelas, distorções, cuja intenção é a de acompanhar a linguagem regionalista e/ou de alargar a caracterização dessas referências no imaginário do leitor, como se pode verificar nos nomes “Mosquito”, “Timpim”, “Turíbio Todo”, “Silivana”.
D) o autor conserva em seu estilo boas doses de ironia, conduzindo a narrativa para desfechos inesperados, como é o caso de Dona Silivana que, apesar de ter “grandes olhos bonitos, de cabra tonta”, arrependida da traição, salva o marido Turíbio Todo da tocaia de Cassiano Gomes.
Considere o fragmento abaixo e a obra “A hora e a vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa. Assinale a alternativa INCORRETA.
“E assim passaram pelo menos seis ou seis anos e meio, direitinho desse jeito, sem tirar e nem por, sem mentira nenhuma, porque esta aqui é uma história inventada, e não é um caso acontecido, não senhor.”
A) Neste fragmento, há um diálogo do narrador com o leitor e também uma reflexão sobre a relação entre a literatura e o compromisso com a verdade.
B) Após o tempo mencionado no fragmento, Nhô Augusto encontra com a esposa Dinorá que contribuirá para que ele abandone o individualismo e o desejo de vingança.
C) A obra é uma narrativa em terceira pessoa, com narrador onisciente que penetra nos pensamentos de Augusto Matraga como se fosse sua consciência.
D) Na obra, a história desenvolve-se em vários espaços: Murici, onde Matraga vive como bandoleiro, Tombador, onde faz penitência e se arrepende da vida de perversidade; Rala Coco, onde encontra sua hora e vez, duelando com Joãozinho Bem-Bem.
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Considerando a leitura da obra O monstro, de Sérgio Sant‘Anna, assinale a alternativa INCORRETA.
A) “Não sei mais quem sou, Doroty, não sei o que é verdade ou mentira em minha vida. Às vezes só as histórias me parecem reais.” Esta fala revela os sentimentos de Antenor Lott Marçal à repórter da revista “Flagrante”.
B) A narrativa “O monstro” compõe-se de uma entrevista de perguntas e respostas, cuja intervenção do jornalista se resume à introdução, deixando o maior espaço ao entrevistado, que assume diretamente a fala, em função do interesse do depoimento.
C) As três narrativas que compõem a obra apresentam os espaços de uma cidade do interior do Brasil, de uma prisão do Rio de Janeiro e de um hotel em Chicago.
D) Na narrativa “O monstro”, Antenor Lott Marçal conta a sua própria história, causando complexidade à narrativa, uma vez que é apresentada do ponto de vista do sujeito que procura se conhecer.
Considerando a obra Nove noites e a introdução abaixo, assinale a alternativa correta.
“Isto é para quando você vier. É preciso estar preparado. Alguém terá que preveni-lo. Vai entrar numa terra em que a verdade e a mentira não têm mais os sentidos que o trouxeram até aqui. Pergunte aos índios. Qualquer coisa. O que primeiro lhe passar pela cabeça. E amanhã, ao acordar, faça de novo a mesma pergunta.”
Bernardo Carvalho. Nove noites.
A) O fragmento acima refere-se a carta que Buell Quain escrevera antes de cometer o suicídio e que fora deixada para Manoel Perna, seu grande amigo, como forma de atestar a inocência dos índios.
B) A narrativa é constituída por relatos verídicos, incluindo cientistas verdadeiros como Lévi-Strauss (antropólogo) e as respostas às indagações sobre a morte de Buell Quain encontravam-se em poder dos índios Krahô.
C) Na busca de dados sobre Buell Quain, o narrador volta ao Xingu para ouvir o que os índios lembravam de Quain, conseguindo, durante o tempo que lá permaneceu,o testemunho dos índios envolvidos no mistério do suicídio.
D) O autor Bernardo Carvalho constrói uma obra diferente e complexa, em que mistura realidade e ficção, apresentando um enigma em torno de um suicídio cujas causas serão investigadas. Porém, a verdade permanecerá ambígua.
TIPO 1