TIPO 1
Leia atentamente o texto a seguir antes de responder as questões propostas.
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A histórica falta de lucidez de sucessivos governos para solucionar os problemas sociais provoca hoje o fenômeno social da informalidade e do crime, e o comércio ostensivo de produtos piratas toma conta dos logradouros públicos.
A tolerância de parte da população − que consome, conscientemente, esses produtos ilegais − e dos governos − que, muitas vezes, cedem os espaços públicos, sob o argumento de que “a informalidade é a alternativa para o desemprego” − só estimula o aumento dessa atividade, dominada por organizações criminais de alcance internacional.
O comércio ostensivo de produtos piratas e o consumo consciente de tais produtos são sinais de uma sociedade que já não se abala com a violação de normas.
Infelizmente, cada vez mais pessoas incluem na rotina diária a violação como forma de ter vantagens, o que constitui gravíssima questão cultural. Essa cultura que aceita e valoriza a transgressão − desde que ela traga vantagens − passa de uma geração para a outra, e, em cada nova geração, o problema se agrava, pois cada vez mais se perde
o contato com um padrão ético que um dia existiu. E todos caminhamos na direção de uma sociedade transgressora, sem limites éticos e sem segurança jurídica.
Por isso, a abordagem do Estado para o comércio informal de produtos piratas não pode envolver a tolerância ao crime. É exatamente o conjunto de todas as “pequenas tolerâncias” que nos leva a uma sociedade amedrontada pelos “grandes crimes”.
Aceitar a pirataria sob a alegação de que ela pode ser a válvula de escape para o problema social do desemprego é um gravíssimo erro. Se não formos capazes de evitar as causas sociais da criminalidade, tolerar o crime porque atrás dele pode estar essa questão social é errar outra vez.
O dinheiro que entra no comércio da pirataria − por exemplo, quando um pai, acompanhado de seu filho, compra um DVD infantil pirata de um camelô − circula pelos vasos comunicantes que interligam as diversas organizações criminais na clandestinidade e poderá se materializar na frente daquela criança, na forma de um traficante na porta da escola.
Esse é o preço que se paga pela tolerância ao crime, disfarçado de solução informal para problemas sociais não resolvidos.
Sob o aspecto criminal, aceitar ou mesmo estimular que a polícia tolere o crime porque pode existir por trás dele a questão social é dar a ela um poder que, no futuro, poderá voltar-se contra o próprio cidadão. A polícia deve agir dentro de um espaço discricionário perfeitamente delimitado pela lei, o que constitui, sobretudo, uma garantia para a sociedade.
Essa obrigação não se limita à polícia, mas se estende às administrações municipais, já que o ato de comércio deve ser regulado e fiscalizado pelas prefeituras, que têm o poder-dever de agir quando a atividade de comércio é exercitada irregularmente, como na venda de produtos piratas.
Sob o aspecto econômico, a informalidade é uma das causas do baixo crescimento do país. Se eliminássemos a informalidade, nossa economia cresceria mais 2,5 pontos percentuais por ano, segundo a consultoria McKinsey.
A informalidade e a pirataria espantam os investimentos externos produtivos, geradores de desenvolvimento. Um país com elevados índices de informalidade e de desrespeito à propriedade intelectual é visto como uma mesa de jogo de azar, só atraindo o investimento especulativo.
E não podemos jamais esquecer que, se de um lado existem pessoas que optaram por violar a lei, comercializando produtos piratas, de outro lado existem muitos cidadãos honestos que são duplamente virtuosos: pois são honestos e porque, todo dia, optam por continuar honestos, a despeito da concorrência criminosa e desleal da pirataria. E esses cidadãos merecem a proteção do Estado, como ponto de partida para a criação de uma sociedade próspera e justa.
Mas o combate à pirataria também é um ato de proteção voltado aos “camelôs” envolvidos no comércio de produtos piratas nas ruas das cidades, pois eles são “escravos” da organização criminal da pirataria. Por tudo isso, combater a informalidade e a pirataria é, sobretudo, recuperar os valores éticos nas relações sociais, ponto de partida para a criação de uma sociedade próspera e justa.
Carlos Alberto de Camargo. Folha de S. Paulo, 7 de novembro de 2006.
Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO corresponde às idéias expressas no texto.
A) Subjacente à aceitação de produtos piratas está a obtenção fácil de vantagens. B) Afirmar que “a informalidade é uma alternativa para o desemprego” é uma falácia. C) Aceitar a pirataria implica tolerar a criminalidade. D) A informalidade e a pirataria contribuem para resolver questões sociais.
Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO corresponde às idéias expressas no texto.
A) A sociedade terá seus direitos garantidos se a polícia agir sem tolerância contra o crime, em um espaço restrito, regulamentado pela lei.
B) É dever do município e não da polícia zelar pelos espaços livres, inalienáveis, destinados à circulação de veículos e pedestres.
C) O consumo ostensivo de produtos piratas revela a face transgressora e sem limites éticos da sociedade brasileira.
D) Não há como analisar isoladamente a informalidade e o crime de pirataria, visto que ambos são decorrentes de problemas sociais não resolvidos.
Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO pode ser considerada causa da pirataria.
A) Incapacidade dos governos para solucionar problemas sociais. B) Aumento do tráfico de drogas. C) Tolerância por parte do governo e da população. D) Valorização de transgressões.
Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO pode ser considerada conseqüência da pirataria ou da informalidade.
A) Afastamento de investidores externos. B) Insegurança jurídica. C) Proteção aos camelôs. D) Perda de um padrão ético.
TIPO 1
Assinale a ÚNICA alternativa que NÃO expressa um fato atual, que ocorre no momento da enunciação.
A) “[...] a informalidade é uma das causas do baixo crescimento do país.” (linha 32)
B) “[...] combater a informalidade e a pirataria é, sobretudo, recuperar os valores éticos nas relações sociais, ponto de partida para a criação de uma sociedade próspera e justa.” (linhas 43-44)
C) “A histórica falta de lucidez de sucessivos governos para solucionar problemas sociais provoca hoje o fenômeno social da informalidade e do crime [...]”. (linhas 1-2)
D) “Um país com elevados índices de informalidade e de desrespeito à propriedade intelectual é visto como uma mesa de jogo de azar, só atraindo o investimento especulativo.” (linhas 34-36)
Assinale a ÚNICA alternativa em que o referente do termo em negrito NÃO foi identificado corretamente.
A) “Esse é o preço que se paga pela tolerância ao crime, disfarçado de solução informal para problemas sociais não resolvidos.” (linhas 23-24) = compra de um DVD pirata
B) “Essa obrigação não se limita à polícia, mas se estende às administrações municipais [...]”. (linha 29) = agir segundo as normas
C) “Por tudo isso, combater a informalidade e a pirataria é, sobretudo, recuperar os valores éticos nas relações sociais, ponto de partida para a criação de uma sociedade próspera e justa.” (linhas 43-44) = todos os argumentos apresentados anteriormente
D) “Por isso, a abordagem do Estado para o comércio informal de produtos piratas não pode envolver a tolerância ao crime.” (linhas 13-14) = perda de limites éticos e insegurança jurídica
“A informalidade e a pirataria espantam os investimentos externos produtivos, geradores de desenvolvimento. Um país com elevados índices de informalidade e de desrespeito à propriedade intelectual é visto como uma mesa de jogo de azar, só atraindo o investimento especulativo.” (linhas 34-36)
Assinale a ÚNICA alternativa que completa, corretamente, o enunciado abaixo.
A relação que se estabelece entre os períodos pode ser explicitada por uma conjunção que indica
A) concessão. B) proporção. C) explicação. D) condição.
Assinale a ÚNICA alternativa em que o termo em negrito constitui marca de indeterminação do agente.
A) Essa obrigação não se limita à polícia [...]”. (linha 29) B) “[...] cada vez mais se perde o contato com um padrão ético que um dia existiu.” (linhas 10-11) C) “O comércio ostensivo de produtos piratas e o consumo consciente de tais produtos são sinais de uma sociedade que
já não se abala com a violação de normas.” (linhas 6-7) D) “O dinheiro que entra no comércio da pirataria [...] poderá se materializar na frente daquela criança [...]”. (linhas 19-21)
“Mas o combate à pirataria também é um ato de proteção voltado aos “camelôs” envolvidos no
comércio de produtos piratas nas ruas das cidades, pois eles são “escravos” da organização
criminal da pirataria.” (linhas 41-42)
O uso de também desencadeia a pressuposição de que o ato de proteção não se restringe à classe dos camelôs.
Assinale a ÚNICA alternativa que explicita a que ou a quem mais o ato de proteção se aplica.
A) Proteção aos brasileiros éticos. B) Proteção às crianças contra o tráfico de drogas. C) Proteção aos cidadãos da polícia. D) Proteção aos comerciantes honestos da concorrência desleal.
Assinale a ÚNICA alternativa INCORRETA.
O emprego da primeira pessoa do plural em expressões como (E todos caminhamos na direção de uma sociedade
transgressora [...]”. (linha 11); “Se não formos capazes de evitar [...]”. (linha 17); “E não podemos jamais esquecer [...]”.
(linha 37) evidencia que o autor objetiva
A) dividir responsabilidades com o leitor. B) incluir também os leitores. C) dirigir-se a um grupo com o qual se identifica. D) expressar modéstia.