PROCESSO SELETIVO 2007 3O DIA 3
LITERATURA
04. Considere o seguinte poema de Manuel Bandeira:
Evocação do Recife
Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
Me lembro de todos os pregões: Ovos frescos e baratos Dez ovos por uma pataca Foi há muito tempo... A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem Terras que não sabia onde ficavam
Recife... Rua da União... A casa de meu avô... Nunca pensei que ela acabasse! Tudo lá parecia impregnado de eternidade Recife... Meu avô morto. Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem & Estrela da manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005, p. 2225.)
A poesia modernista apresenta como característica marcante o uso da linguagem coloquial, espontânea e prosaica. Isso originou poemas que se aproximam fortemente da linguagem popular. Transcreva, do poema acima, três versos que abordam a contribuição da linguagem popular na criação poética.
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05. Leia o poema abaixo, de Gregório de Matos:
Que falta nesta cidade? ..... Verdade Que mais por sua desonra ..... Honra Falta mais que se lhe ponha ..... Vergonha.
O demo a viver se exponha, por mais que a fama exalta, numa cidade, onde falta Verdade, Honra, Vergonha.
Quem a pôs neste socrócio? ..... Negócio Quem causa tal perdição? ..... Ambição E o maior desta loucura? ..... Usura.
Notável desventura de um povo néscio, e sandeu, que não sabe, que o perdeu Negócio, Ambição, Usura. [...]
E que justiça a resguarda? ..... Bastarda É grátis distribuída? ..... Vendida Que tem, que a todos assusta? ..... Injusta.
Valhanos Deus, o que custa,
Epílogos E nos Frades há manqueiras? ..... Freiras Em que ocupam os serões? ..... Sermões Não se ocupam em disputas? ..... Putas.
Com palavras dissolutas me concluis na verdade, que as lidas todas de um Frade são Freiras, Sermões, e Putas.
O açúcar já se acabou? ..... Baixou E o dinheiro se extingüiu? ..... Subiu Logo já convalesceu? ..... Morreu.
À Bahia aconteceu
o que a um doente acontece, cai na cama, o mal lhe cresce, Baixou, Subiu, e Morreu.
A Câmara não acode? ..... Não pode Pois não tem todo o poder? ..... Não quer É que o governo a convence? ..... Não vence.
Quem haverá que tal pense, que uma Câmara tão nobre por verse mísera, e pobre Não pode, não quer, não vence.
(MATOS, Gregório de. Antologia. Porto Alegre: L&PM, 2005, p. 6062.)
Esse poema testemunha a criatividade do poeta ao escrever composições satíricas e critica comportamentos sociais do Brasil da época colonial. Com base nisso, faça o que se pede:
a) Cite três instituições sociais que são críticadas no texto.
b) Destaque três versos, nos quais Gregório de Matos expõe a decadência econômica da sociedade baiana do século XVII.