REDAÇÃO: EXPECTATIVAS DA BANCA

Proposta A

Em função do recorte temático da proposta A, espera-se que o candidato trabalhe em sua dissertação os desafios lançados ao Estado pelas ações preventivas na esfera da saúde pública.

Espera-se que o candidato saiba identificar as tensões decorrentes das medidas preventivas adotadas pelos governos, justamente por estas dependerem de mudanças nos hábitos dos indivíduos. Isso porque toda e qualquer campanha em saúde pública envolve, necessariamente, uma mudança na rede de valores de uma sociedade ou de parte dela. E é exatamente essa característica inexorável das políticas públicas preventivas que lhes confere um caráter de intervenção, entendido, muitas vezes, como intrusivo.

Desse modo, cabe ao candidato trabalhar, por exemplo, a tensão entre o público e o privado, inerente à própria formulação e implantação de políticas preventivas. Essas tensões podem ser morais, sociais, políticas ou culturais. Há um limite muito tênue entre os desejos e valores de cada indivíduo e a concepção pública e estatal de como a sociedade deve ser gerida. Outra possibilidade de trabalhar a questão é explorar o delicado limite entre a gestão nacional e internacional das políticas públicas.

Esses são alguns dos pontos que poderão ser articulados de modo a tocar nos desafios e tensões das ações públicas na esfera da prevenção. O candidato que escolher essa proposta poderá, por exemplo, mostrar uma relação histórica do caráter intrusivo da ação preventiva do Estado, como se verificou no caso da Revolta da Vacina, e atualmente é observável no combate ao tabagismo, no controle da dengue e no da transmissão do vírus da AIDS (pela distribuição de seringas e preservativos).

Outras abordagens da proposta A podem contemplar questões como a colaboração internacional, visando a evitar a disseminação de doenças epidêmicas; ou o confronto entre as medidas preventivas empregadas pelo governo brasileiro e pelo norte-americano, na estratégia de redução de danos.

Proposta B

Em função do recorte temático, espera-se que o candidato trabalhe sua narrativa de maneira a tratar dos conflitos pelos quais a personagem passa, depois de a doença ser diagnosticada. É importante que o candidato atente ao fato de que tais conflitos surgem a partir do diagnóstico e, dada a natureza da doença, envolvem a dificuldade no convívio com a mesma, normalmente marcada pela atribuição da responsabilidade ao indivíduo ou pelo preconceito. Ou seja, em geral o doente é culpabilizado pela sua doença.

Além disso, por se tratar de tema de campanha preventiva, deve-se levar em conta o fato de ser uma doença muito presente na mídia, veiculada como algo que pode ser evitado (seja comendo corretamente, seja tomando precauções com os parceiros sexuais ou no uso de drogas, não consumindo nicotina, não deixando água em vasos, fazendo o controle da pressão e da diabetes, etc.). A presença pública dessas campanhas caracterizaria o fato de se estar doente como conseqüência de negligência ou de adoção deliberada do que é designado como comportamento de risco.

O candidato que escolher essa proposta poderá, por exemplo, abordar o preconceito histórico em relação a determinadas doenças e, mais recentemente, em relação ao problema da obesidade, do tabagismo, do alcoolismo ou da AIDS, dentre outros. Outra possibilidade seria trabalhar a questão da resistência individual às medidas preventivas.

Espera-se que o candidato, além de escolher e manter adequadamente um dos focos narrativos, saiba demonstrar a relevância de sua escolha.

Expectativas da Banca • Redação

Proposta C

Em função do recorte temático da proposta C, espera-se que o candidato redija sua carta considerando que as campanhas promovidas pelo Ministério da Saúde brasileiro visam, dentro de uma política formulada pelo governo, a informar e educar a população com uma gama diversa de objetivos, como o de evitar a disseminação de epidemias, o de promover o que essa política considera como bem-estar social, e também o de conter gastos do sistema público de saúde, já que, notoriamente, é menos oneroso prevenir do que tratar das doenças. Para tanto é preciso que o candidato reflita sobre os pontos positivos da estratégia da campanha escolhida, relacionando-a com a natureza da doença.

Os pontos positivos passam, por exemplo, por um bom diagnóstico das dificuldades inerentes ao combate à doença, tema da campanha, as quais podem ser de ordem individual ou social. Passam, ainda, pelo reconhecimento dos resultados efetivos da campanha.

Pode contribuir para a escolha do candidato uma das campanhas mencionadas na coletânea ou outra que ele venha a eleger, desde que ajustada à natureza do debate proposto pelas instruções e pelos excertos. Ou seja, a campanha em foco deve ser promovida pelo governo.

O candidato deve endereçar sua carta ao Ministro da Saúde, para expor seu ponto de vista a respeito da estratégia da campanha, apresentando argumentos convincentes que justifiquem sua manutenção. Tratando-se de uma carta, deverão ser muito bem elaboradas no texto tanto a imagem de seu autor, quanto a do Ministro da Saúde (que poderá ser construída em termos de lugar institucional, ou particularizada na figura do atual ministro da saúde, José Gomes Temporão).

Expectativas da Banca • Redação